Estudantes mantêm mobilização contra policiais na Grécia

Os estudantes voltaram às ruas de Atenas e Salônica (norte) neste sábado para um protesto pacífico pela morte de um adolescente, há uma semana, vítima dos disparos de um policial, episódio que deflagrou uma onda de violência urbana na Grécia.

AFP |

No início da tarde, cerca de 300 estudantes participaram de uma vigília na praça ateniense de Syntagma, em homenagem ao adolescente Alexis Grigoropoulos, de 15 anos. Os jovens, alguns com flores, estenderam duas grandes faixas na frente do Parlamento, nas quais se lia "Condenamos a violência, é preciso desarmar a polícia" e "06/12/08, Alexis Grigoropoulos, não esquecemos de você".

Algumas horas depois, pelo menos 2.000 alunos se reuniram na praça e diante do túmulo do soldado desconhecido, cercada pela polícia. Muitos insultaram as forças de segurança, e houve novo momento de tensão, frente a frente, por mais de uma hora, até a dispersão dos estudantes.

A maioria dos manifestantes era formada por alunos da Escola Politécnica e da Faculdade de Direito e carregava cartazes com palavras de ordem como "O Estado mata" e "Assassinos".

Também foram distribuídos panfletos de um comitê de coordenação estudantil, nos quais se anunciavam novos protestos para segunda-feira, na frente da secretaria de Polícia, e uma grande manifestação geral do setor de ensino para a próxima quinta, diante do Parlamento.

Foi adiada para domingo uma concentração prevista para sábado no bairro ateniense de Exarchia, onde o jovem Alexis faleceu.

Em Salônica, a segunda cidade da Grécia, houve alguns incidentes durante uma passeata de 2.000 pessoas, neste sábado. Grupos de radicais que se uniram a uma manifestação pacífica de estudantes de esquerda viraram latas de lixo, atacaram um carro, picharam o edifício do Bispado e destruíram uma câmera de vigilância de um banco no centro da cidade. Não houve confronto com a polícia.

Na sexta-feira à noite, uma série de pequenos atentados com explosivos voltou a agitar Atenas, mas sem embate entre manifestantes e policiais. Os ataques, pelos quais nenhum grupo se responsabilizou até o momento e que não deixaram vítimas, foram lançados contra cinco agências bancárias (quatro gregas e uma americana) e contra uma sede local do partido conservador no poder Nova Democracia (ND), em dois bairros atenienses. Um supermercado e uma loja do Escritório de Telecomunicações (OTE) também foram atacados.

Os atentados provocaram danos materiais e princípios de incêndio, rapidamente sufocados pelos bombeiros. Automóveis também foram incendiados em dois bairros da capital.

Há dois dias, a polícia diz constatar "uma diminuição da tensão", em relação ao início da semana, quando houve violentos confrontos em Atenas e nas principais cidades gregas.

No plano político, o primeiro-ministro Costas Caramanlis, bastante enfraquecido pela crise, descartou na sexta-feira que vá renunciar ao cargo, ou organizar eleições antecipadas.

dk/tt

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