Estudantes gregos anunciam que retomarão protestos no dia 9

ATENAS - Milhares de estudantes saíram, nesta terça-feira, às ruas de Atenas e deram por encerrado o primeiro ciclo de protestos pela morte de um menor atingido a tiros pela Polícia, decidindo retomar as manifestações no próximo dia 9, após as festas de fim de ano.

EFE |

Os manifestantes foram convocados por grupos estudantis para pedir a renúncia do Governo e a libertação dos detidos nos distúrbios que têm sido realizados desde a morte de Alexis Grigoropulos, de 15 anos, em 6 de dezembro em Atenas.

No início da manifestação, em frente à reitoria da Universidade de Atenas, cerca de dez radicais tombaram um carro da Polícia, sem deixar vítimas, e foram dispersados pelas forças antidistúrbios.

Perto do Parlamento, os manifestantes atearam fogo em uma máscara que representava a cabeça de um porco, gritando palavras de ordem como "policiais, porcos, assassinos" e "abaixo o Governo do novo terrorismo".

A Polícia anunciou hoje que ordenou uma pesquisa sobre o ataque a tiros desta madrugada contra um ônibus que transportava brigadas antidistúrbios no bairro de Gudi, em Atenas. As balas estouraram um pneu e deixaram um grande orifício no motor do ônibus. Não houve vítimas.

Um desconhecido fez uma chamada telefônica ao portal de internet "zougla.gr" e disse pertencer ao grupo "Ação Popular", ao qual atribuiu o atentado que atingiu o veículo policial a tiros.

Por ocasião do Natal, foram fechados hoje estabelecimentos de ensino, que só voltarão a abrir suas portas em 8 de janeiro. Com isso, se espera uma trégua nas ocupações de cerca de 700 colégios e 100 faculdades no país, após a morte de Grigoropulos.

O reitor da Escola Politécnica de Atenas declarou a meios de comunicação locais que os ocupantes abandonarão hoje o edifício, que junto com outras entidades universitárias no centro da capital são utilizadas por parte dos ativistas radicais como refúgio da perseguição policial, tirando proveito do asilo universitário.

"Voltaremos a sair às ruas em 9 de janeiro para reivindicar nossos direitos", declarou hoje à Agência Efe o secretário-geral da Federação de Professores do Ensino Médio (Olme), Themos Kochifakis.

Os adolescentes filiados ao Partido Comunista da Grécia (KKE) se reuniram nos arredores da sede do Ministério de Ensino, no bairro de Marusi, e entoaram cantos de protesto contra o Governo do conservador Costas Caramanlis.

Os estudantes protestam contra a violência policial, contra o sistema de ensino, e contra os reduzidos fundos estatais para o setor (3,1% do Produto Interno Bruto para 2009).

As palavras de ordem pedem a renúncia do Governo e a libertação de cerca de 70 pessoas presas, do total de detidos devido aos distúrbios, que a imprensa calcula em quase 200.

Um porta-voz do grupo de ajuda legal formado para defender os detidos explicou à Efe que até o momento é difícil obter números exatos sobre os detidos e presos, porque os incidentes ocorrem em diversas cidades do país, de forma isolada, e há pouca informação por parte das autoridades.

"Há um clima de terror no qual a Polícia muitas vezes intimida os detidos e não informa sobre os direitos destes, seja para que chamem familiares ou um advogado", declarou um dos juristas da defesa à Efe.

A popularidade do Executivo do democrata-cristão Caramanlis caiu nos últimos 17 dias. Segundo as pesquisas, seu partido se encontra cinco pontos atrás da oposição majoritária socialista.

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