Estudantes fazem greve de fome em frente à OEA na Venezuela

Por Patricia Rondón Espín CARACAS (Reuters) - Um grupo de estudantes protestava nesta segunda-feira em frente à sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Caracas, com uma greve de fome em solidariedade aos presos políticos e pedindo à entidade multilateral que verificasse a situação dos detentos.

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Um primeiro grupo, da Universidade de Oriente (UDO), começou o protesto na quinta-feira, e nesta segunda-feira eram 32 os jovens reunidos. Está previsto que o número de manifestantes aumente nas próximas horas.

"Essa iniciativa nasceu em apoio e solidariedade a todos os presos e perseguidos políticos. No nosso caso é muito pontual o do companheiro estudante Julio Rivas", disse Rebeca Rojas, estudante de 23 anos.

Rivas, 22, foi detido neste mês acusado de incitação ao crime e à guerra civil, resistência à autoridade, uso de arma genérica e conspiração.

Enquanto é julgado, o jovem permanece em Yare, uma das perigosas prisões venezuelanas, e poderá ser condenado a 9 anos por supostamente participar de ações violentas durante uma marcha, como ultrapassar as barras de segurança e lançar objetos contra policiais.

"Estamos pedindo ao cidadão José Miguel Insulza (...) que se pronuncie, que exija do governo venezuelano que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) entre na Venezuela e veja a situação que vivem os presos e perseguidos políticos", disse Rojas, se referindo ao secretário-geral da OEA.

Organizações de direitos humanos e a oposição garantem que existem processos judiciais irregulares e desproporcionais contra adversários e críticos do governo de Hugo Chávez.

Ao mesmo tempo, vários "presos políticos" iniciaram greves de fome em seus respectivos centros de reclusão, incluindo os comissários Lázaro Forero e Iván Simonovis. Ambos foram condenados a 30 anos de prisão por atirar contra uma concentração "chavista".

O mandatário venezuelano nega que se trate de "presos políticos" e garante que deve processar quem tenta fomentar a desordem e a até atentar contra sua "revolução socialista".

(Reportagem adicional de Marianna Párraga)

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