Estudantes deixam Congresso no Chile após acordo sobre plebiscito

Oposição prometeu apresentar projeto de lei e jovens abandonaram antigo prédio do Congresso após oito horas de ocupação

iG São Paulo |

Cerca de 50 chilenos, a maioria estudantes, que ocuparam na quinta-feira a sede do antigo Congresso em Santiago, capital do país, abandonaram o edifício após chegarem a um acordo com parlamentares opositores para exigir um plebiscito sobre como resolver os problemas sociais do Chile, especialmente na área da educação.

EFE
Manifestantes se reunem no arredores do antigo Congresso do Chile despois de grupo ter ocupado prédio

O governo havia previamente anunciado ações legais contra a ocupação e criticado o presidente do Senado, o opositor Guido Girardi, por não autorizar a entrada de policiais para a retirada dos manifestantes. Entre eles havia vários estudantes, mas também pais, ecologistas e representantes de minorias sexuais.

Os manifestantes interromperam uma reunião da Subcomissão de Orçamentos, começaram a bater em mesas e gritar palavras de ordem. O ministro da Educação, Felipe Bulnes, presente na sala, decidiu se retirar do edifício.

Enquanto os jovens tomavam a sede no centro da capital, cerca de 500 manifestantes se concentraram em seus arredores em apoio à ocupação. O ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, propôs ao presidente do Senado que lançasse mão das forças de ordem, mas ele se negou.

Após mais de oito horas de ocupação, os manifestantes deixaram o local depois de parlamentares da oposição prometerem que vão apresentar um projeto de lei com caráter de urgência exigindo um plebiscito, embora líderes políticos da direita e da esquerda tenham dito que o próprio Congresso deve decidir essa disputa.

A ocupação em Santiago aconteceu horas depois que a polícia expulsou manifestantes das galerias do prédio do Congresso do Chile na cidade portuária de Valparaíso.

Universitários e estudantes do ensino médio vem boicotando as aulas e organizando protestos há seis meses para pressionar o governo a fim de que suas demandas sejam atendidas. Os manifestantes exigem que o governo realize mudanças profundas no sistema educacional do Chile, como tornar o ensino gratuito para todos.

A ocupação do prédio público foi filmada pelos manifestantes, que transmitiram o que acontecia ao vivo na internet por uma webcam. Eles incitaram outros estudantes a comparecer ao local, que era utulizado como Congresso antes da ditadura militar (1973 - 1990). A atual sede do Poder Legislativo se encontra em Valparaíso.

A polícia isolou a área do edifício com barreiras de metal para evitar que os outros manifestantes presentes entrassem. Dezenas tentaram se dirigir ao interior do prédio, mas foram afastados por jatos d'água lançados pelos agentes.

Após a saída do prédio, os jovens tiveram seus documentos de identidade checados pelos oficiais da polícia. O ministro do Interior disse que eles poderiam enfrentar acusações por ameaçar um ministro de Estado e por interferir no trabalho legislativo.

Apesar da promessa dos opositores, a Constituição do Chile permite a realização de plebiscitos apenas em circunstâncias limitadas, na maior parte das vezes quando o Congresso e o presidente não conseguem resolver suas diferenças.

Os manifestantes pedem ao governo que proporcione educação pública para todos, não apenas para os mais pobres, e melhore a qualidade do ensino. Eles também querem que os subsídios do governo para as universidades privadas sofram redução.

O governo de Piñera afirmou que não pode fornecer educação de graça para todos os cidadãos, e, diante da situação, os líderes do movimento romperam o diálogo com as autoridades .

Com AP e EFE

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