Estudantes chilenos invadem embaixada do Brasil em Santiago

SANTIAGO (Reuters) - Cerca de 5.000 universitários e secundaristas foram às ruas de Santiago na quinta-feira contra o atual sistema educacional chileno, que segundo eles perpetua a desigualdade entre o ensino privado e o público. Durante a manifestação, alguns deles chegaram a invadir a embaixada brasileira. Escoltados pela polícia, os jovens --muitos dos quais uniformizados e carregando cartazes-- percorreram cerca de 40 quarteirões da alameda OHiggins, principal via de Santiago, provocando transtornos no trânsito.

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'Tivemos alguns incidentes menores, isolados, e a interrupção momentânea do trânsito na Alameda', disse a jornalistas o subsecretário de Interior, Felipe Harboe.

Houve alguns confrontos após a passeata, quando estudantes tentaram se aproximar do Palácio de la Moneda (sede do governo) e foram contidos com jatos d'água e gás lacrimogêneo. Cerca de 30 deles foram detidos, segundo Harboe.

Um grupo de aproximadamente dez manifestantes entrou no prédio da Embaixada do Brasil, exigindo entregar ao embaixador uma carta em que solicitavam apoio à sua causa.

Em nota, o Itamaraty disse que o grupo foi informado que o Brasil não interfere nos assuntos de outros países, e que os estudantes deixaram o prédio sob assistência da polícia, depois de receberem garantias de que não haveria violência.

Esse foi um dos maiores dos vários protestos estudantis dos últimos meses no Chile. Os estudantes dizem que a reforma educacional que tramita no Congresso serve apenas para estimular os lucros no setor.

'Estamos marchando contra a Lei Geral de Educação e também por mais financiamento público para as universidades que estão quebradas', disse uma manifestante.

Várias reformas administrativas defendidas pelos estudantes, como o fim das subvenções públicas a escolas privadas, não foram incorporadas à reforma.

Por causa das reposições de aula em consequência das freqüentes paralisações, as férias de inverno estão ameaçadas de serem canceladas. 'Dia parado é dia a repor, e nisso estão comendo as férias, mas não é culpa do Ministério da Educação', disse a ministra Mónica Jiménez.

(Reportagem de Mónica Vargas)

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