Estudantes chilenos aceitam dialogar com o governo

Após quase cinco meses de protestos, estudantes aceitam negociar, mas garantiram que não voltarão às aulas para manter a pressão

iG São Paulo |

A Confederação de Estudantes do Chile (Confech) aceitou iniciar o diálogo com o governo chileno, após quase cinco meses de protestos por um ensino público de qualidade , mas os alunos advertiram que não voltarão as aulas para manter a pressão.

AP
Cerca de 150 mil estudantes chilenos se reuniram em Santiago (22/9)

"Seremos parte desse espaço (de diálogo) para continuar com nossa luta constante pela gratuidade do ensino chileno e sua democratização, eixos para se construir um sistema público de qualidade", disse o líder estudantil Georgio Jackson em entrevista coletiva.

Os estudantes resolveram não voltar às aulas, paralisadas em alguns colégios e universidades do Chile há quase cinco meses, apesar de ser uma das exigências do governo para a retomada das negociações.

"O início desse diálogo não condiciona nossa forma de mobilização. A volta às aulas dependerá da vontade do governo para responder efetivamente às demandas do movimento e às determinações de cada comunidade educativa", destacou a líder estudantil Camila Vallejo.

A mesa de diálogo foi possível após o governo flexibilizar, nesse final de semana, sua posição sobre algumas exigências dos estudantes, como retirar o caráter de urgência à tramitação de dois projetos de lei sobre educação enviados ao Congresso sem o aval do movimento estudantil.

O governo já havia aceitado deixar o diálogo mais transparente, elaborando atas das reuniões e fiscalizando com maior rigor as contas das universidades particulares.

Os protestos estudantis começaram no início de maio, para exigir uma educação pública gratuita e de qualidade em um país com um sistema muito segregado, produto das reformas impostas pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

O presidente chileno, Sebástian Piñera, havia anunciado que 70 mil estudantes do ensino médio perderiam o ano letivo , devido à paralização das aulas pelas mobilizações. O número equivale a 2% do total de estudantes matriculados no ensino médio no país.

Com AFP

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