Estudante marroquino que comparou rei ao Barça é solto

Marrakech (Marrocos), 29 out (EFE).- O jovem marroquino Yassin Belassal, condenado em setembro a um ano de prisão por ofender à Monarquia em um desenho, relacionando o rei ao clube de futebol Barcelona, saiu hoje em liberdade provisória de uma prisão de Marrakech.

EFE |

Abalado pelas condições que enfrentou atrás das grades, onde dividiu cela com mais de 80 presos, a primeira coisa que ele fez foi agradecer ao rei Muhammad VI pela libertação.

O jovem reconheceu ter pintado "Deus, a pátria, o rei e o Barça" no quadros-negro de sua escola, modificando com isso o lema nacional marroquino e equiparando a figura do monarca com a do F.C.

Barcelona.

"Seu amor pelo Barcelona foi o que o levou à prisão", assegurou esta manhã seu pai.

Em uma das muitas versões contraditórias que circularam em torno do caso, se assegurou que Belassal tinha substituído no lema nacional a palavra "rei" pelo nome de seu clube favorito.

No entanto, a denúncia apresentada perante o juiz acusa o jovem de ter escrito em um desenho fora de seu centro de estudos a frase "Que Deus maldiga a teu pai", em referência ao monarca alauí Muhammad VI.

Pela ofensa à monarquia explicita nessa última frase, e que é pela que oficialmente ele foi processado, o jovem poderia ter sido sentenciado a cinco anos de prisão, segundo indicou Mohammed el-Ghalussi, advogado da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), que esteve à frente da defesa.

Durante a audiência foi solicitado ao promotor que levasse em conta a juventude de Belassal, de 18 anos, assim como o fato de que essa frase não foi lançada por uma verdadeira falta de respeito à Coroa, mas como uma provocação sem transcendência dirigida aos seus companheiros.

Além disso, os advogados de defesa mostraram o dano à monarquia, à imagem exterior do país e à democracia, que poderia supor a permanência na prisão de um estudante.

Está previsto que a segunda e em princípio última sessão do processo de apelação se celebre em 5 de novembro, data em que a defesa pediu que seja garantido um processo "justo e em boas condições". EFE mgr/rr

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