Por Frank Jack Daniel CARACAS (Reuters) - Um estudante morreu e nove policiais ficaram feridos na segunda-feira em Mérida, na Venezuela, durante incidentes relacionados a protestos pela suspensão das transmissões de um canal de TV que faz oposição ao governo de Hugo Chávez.

Cumprindo ordens do governo, as operadoras de TV a cabo deixaram no domingo de exibir o sinal da RCTV Internacional. Em 2007, Chávez já havia tirado da TV aberta outra emissora do grupo, chamada simplesmente RCTV.

O ministro do Interior, Tareck El Aissami, disse na noite de domingo que o secundarista Josino José Carrillo, 15 anos, favorável a Chávez, foi morto quando participava de uma manifestação na cidade andina de Mérida.

"Infelizmente há alguns minutos um grupo de estudantes que estava protestando pacificamente foi atacado de maneira covarde, e esse lamentável incidente resultou no assassinato de um jovem de 15 anos", disse El Aissami pela TV.

De acordo com ele, nove policiais do Estado de Mérida ficaram feridos nas manifestações estudantis, sendo dois deles baleados.

A polícia usou gás lacrimogêneo em Caracas e outras cidades para dissolver protestos contra a nova suspensão da RCTV e de outros pequenos canais. Entidades de defesa da imprensa e o governo dos EUA criticaram a medida, considerando-a uma violação da liberdade de expressão.

"Sempre que o governo fecha uma rede independente, essa é uma área de preocupação", disse P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

A Venezuela disse que Crowley "mentiu" ao dizer que os canais foram fechados. As autoridades dizem que a suspensão será revertida se as emissoras cumprirem uma nova lei que lhes obriga a transmitir alguns discursos de Chávez, entre outras coisas.

"Não se trata de um ataque à liberdade de expressão, é uma sanção administrativa conforme a lei", disse à Reuters Bernardo Alvarez, embaixador da Venezuela nos EUA, negando que tenha havido motivação política.

Universitários e secundaristas saíram às ruas da capital com as mãos pintadas de branco e tentaram chegar à sede do órgão público que regulamenta a mídia. Foram repelidos por um pequeno grupo de chavistas e depois perseguidos por policiais da tropa de choque, que usaram gás lacrimogêneo quando uma pedra foi atirada neles.

(Reportagem adicional de Patricia Rondon)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.