Estreia de Obama e temas polêmicos marcam Assembleia Geral da ONU nesta semana

NOVA YORK - A estreia do presidente norte-americano, Barack Obama, nas Nações Unidas e a participação do líder da Líbia e do presidente iraniano vão agitar a Assembleia Geral da ONU que acontece nesta quarta-feira, um encontro global anual marcado mais por palavras do que por ações.

Redação com agências internacionais |

Na próxima quarta-feira, representantes dos 192 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) participam da Assembleia Geral na sede do órgão em Nova York.

Mudança climática, crise financeira e desarmamento nuclear estão entre os principais temas que serão discutidos na reunião desta semana, mas encontros paralelos podem ainda definir os próximos passos para conversas de paz no Oriente Médio e melhorar as relações entre Rússia e Estados Unidos.


Prédio da ONU em Nova York / Divulgação

Estreia de Obama

Ao contrário do seu predecessor, George W.Bush, Barack Obama fez voto de trabalhar de maneira mais conjunta com a Organização das Nações Unidas e planeja passar todos ou parte dos três dias da Assembleia em Nova York, fazendo dois discursos e presidindo um encontro do Conselho de Segurança.

Obama também irá discursar em uma conferência sobre a mudança climática, sinalizando a preocupação da sua administração em relação ao assunto, e se tornará o primeiro presidente dos EUA a presidir um encontro do Conselho de Segurança. O tema deste encontro será a não-proliferação nuclear.

Diálogo sobre Oriente Médio

Há uma grande especulação de que Obama poderia anunciar uma nova iniciativa de paz para o Oriente Médio e ser o anfitrião de um encontro entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, ambos esperados em Nova York.

O enviado dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, esteve na última semana em reuniões com Netanyahu e Abbas para tentar preparar o terreno para um encontro em Nova York. Mitchell, no entanto, voltou aos EUA sem ter conseguido que israelenses e palestinos aceitassem retomar o diálogo de paz , estagnado desde o final de 2008.

Os esforços de Mitchell foram travados na recusa israelense em deter a colonização na Cisjordânia ocupada, enquanto a parte palestina mantém a exigência de um congelamento completo das construções, argumentando que sua continuidade mina qualquer possibilidade de acordo. Sem o sucesso de Mitchell, a provável reunião entre Netanyahu, Abbas e Obama em Nova York fica ameaçada.

Reuniões bilaterais

Obama e o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, se encontrarão à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas na quarta-feira. Os dois presidentes vão se reunir poucos dias depois de Obama ter anunciado o abandono do projeto de escudo antimísseis na Europa idealizado por seu antecessor, George W. Bush, o que trouxe elogios de autoridades russas.

"O tempo é bastante limitado, é só uma hora, e isso não dá para abranger todos os temas", afirmou Serguei Prikhodko, assessor do Kremlin. Entre os temas que poderão ser abordados, segundo o funcionário, não está o andamento das negociações para a assinatura de um novo acordo de desarmamento nuclear que substitua o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start), que expira em dezembro.

O líder russo se propõe a abordar durante esses 60 minutos temas como a luta contra o terrorismo, o conflito no Oriente Médio, a situação no Afeganistão e as crises nucleares do Irã e da Coreia do Norte.

Apesar da expectativa de um encontro bilateral entre autoridades iranianas e autoridades dos EUA, não há na agenda nada planejado para discussão do programa nuclear do Irã. "A respeito do líder iraniano, não acredito que aconteça uma reunião com os Estados Unidos", afirmou a embaixadora americana na ONU, Susan Rice.

Discursos inéditos e polêmicos

As negociações de paz no Oriente Médio e as reuniões para discutir o aquecimento global devem competir com as ásperas retóricas do líder da Líbia, Muammar Kaddafi, e do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Kaddafi e Ahmadinejad conseguiram encaixar seus discursos em um dia chave, a abertura da Assembleia, na quarta-feira, 23 de setembro, quando Obama, o presidente Lula e os presidentes da França, da Rússia e da China e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha também discursarão.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, e o presidente chinês, Hu Jintao, também irão falar na Assembleia pela primeira-vez.

Ahmadinejad e Kaddafi são controversos em qualquer época, mas especialmente agora: o iraniano devido à contestada eleição que o levou ao poder novamente em junho, e o líbio pelo novo rumo na saga do caso da bomba em Lockerbie.

O líbio Abdel Basset al-Megrahi, que estava preso na Escócia por sua participação na explosão de um avião em 1988 sobre a cidade de Lockerbie que matou 270 pessoas, muitos norte-americanos, foi mandado de volta para casa no mês passado devido a um câncer terminal e recebido com festa por Kaddafi.

Participação de Lula

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pedirá na 64ª Assembleia Geral ONU,a reforma da própria entidade, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Em seu discurso, na próxima quarta-feira, Lula também irá criticar o embargo imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

De acordo com o porta-voz da presidência, Marcelo Baumbach, Lula vai destacar que a ONU "não é adequada" aos tempos modernos, o que ficou patente em sua "incapacidade" para canalizar os debates sobre a crise econômica mundial.

Entenda o que é a Assembleia Geral da ONU

A Assembleia Geral é o principal órgão de debate da ONU, onde todos os países-membros da organização estão incluídos e onde cada nação tem direito a um voto nas discussões em pauta.


Prédio da ONU em Nova York / Divulgação

Na Assembleia Geral, os países-membros têm a oportunidade de discutir qualquer tópico que esteja na Carta da ONU, de segurança internacional à mudanças climáticas. A Assembléia pode fazer recomendações, baseadas em suas deliberações. Mas ela não tem poder para forçar os países a agirem de acordo com suas decisões.

Em assuntos-chave, incluindo os de segurança internacional, uma maioria de dois terços é necessária para adotar uma resolução. Tradicionalmente, é o representante brasileiro que, com seu discurso, abre a parte de discursos de representantes de países-membros da Assembleia Geral.

Os assuntos tratados na Assembleia Geral são geralmente divididos em seis comitês:o de desarmamento e segurança internacional; o de política e descolonização; o econômico e financeiro; o social, humanitário e cultural; o administrativo e orçamentário; e o legal. Ao final das discussões, a Assembleia aprova ou rejeita as diretrizes determinadas pelos comitês.

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