Estratégia americana no Afeganistão e no Paquistão estimula a violência

A estratégia do presidente americano Barack Obama, de terminar o mais rápido possível a guerra contra o terrorismo no Afeganistão e no Paquistão pode estimular a violência nestes dois países em 2010, comentam analistas.

AFP |

Além disso, a falta de legitimidade dos dois governos, muito abalados pela corrupção, não vai ajudar Washington, que trata de eliminar a ameaça da Al-Qaeda e dos talibãs nos dois países vizinhos.

No Afeganistão, o ano de 2009 foi marcado pela contestada reeleição do presidente Hamid Karzai, que chegou ao poder no fim de 2001 com o apoio dos Estados Unidos, e pelo anúncio do envio de mais de 50.000 soldados ocidentais suplementares.

Vencedor de uma eleição marcada por graves irregularidades e pela desistência de seu adversário antes do segundo turno, Karzai, cujo governo já tinha sido abalado por diversas acusações de corrupção, perdeu ainda mais legitimidade.

O objetivo, anunciado pelos ocidentais no fim de 2001, de transformar o Afeganistão em verdadeira democracia, já foi abandonado. Agora, a prioridade de Washington é exclusivamente militar.

Com os novos reforços que serão enviados ao Afeganistão no início de 2010, Obama terá mobilizado mais de 50.000 soldados suplementares naquele país desde que assumiu o poder, em janeiro deste ano. E seus aliados da Otan anunciaram o envio de mais 7.000.

Assim, quase 150.000 soldados estrangeiros deverão ser mobilizados no Afeganistão até o fim de 2010.

Este aumento de tropas pode provocar uma reação mais mortífera dos talibãs, que ganharam força em 2009 apesar da chegada dos primeiros reforços ocidentais.

O ano de 2009 foi, de longe, o mais mortífero desde o fim de 2001, tanto para os civis como para os militares estrangeiros.

Até o dia 27 de dezembro, mais de 500 soldados estrangeiros tinham sido mortos no país em 2009, sendo pelo menos 310 americanos.

Cedendo às pressões de uma opinião pública cada vez mais hostil ao conflito afegão, Obama, Prêmio Nobel da Paz 2009, anunciou que as tropas americanas começarão a sair do país em meados de 2011. A declaração suscitou preocupações entre alguns afegãos e paquistaneses, que temem ser "abandonados" pelos Estados Unidos.

No Paquistão, única potência nuclear muçulmana, a onda de atentados talibãs se intensificou, deixando mais de 2.700 mortos nos dois últimos anos, sendo 1.200 até agora em 2009.

Os Estados Unidos pressionaram Islamabad para que intervenha nas zonas tribais da fronteira com o Afeganistão, que consideram como o feudo dos talibãs dos dois países e de seus aliados da Al-Qaeda.

O exército paquistanês lançou várias ofensivas nestas zonas tribais, sobretudo no Waziristão do Sul, reduto do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP), considerado o responsável pela maior parte dos ataques.

Em paralelo, os aviões sem piloto da CIA baseados no Afeganistão bombardearam intensamente as zonas tribais em 2009, fazendo muitas vítimas civis.

Estes bombardeios alimentaram um crescente sentimento antiamericano no Paquistão, onde a vizinha Índia é frequentemente considerada uma ameaça mais grave que os talibãs.

Em queda livre nas pesquisas de opinião, o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, ficou ainda mais fragilizado com o fim de uma anistia de 2007 que impedia o prosseguimento dos processos por corrupção lançados contra ele e vários ministros.

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