Estrangeiros são presos no Irã por entrevistarem filho de Sakineh

Procurador Gholam Hossein Mohseni Ejeie argumenta que entrevistadores não eram jornalistas

AFP |

Dois estrangeiros acusados de terem entrevistado o filho de Sakineh Mohammadi-Ashtiani, uma iraniana condenada à morte por apedrejamento, foram presos no Irã, anunciou nesta segunda-feira o procurador Gholam Hossein Mohseni Ejeie à imprensa iraniana.

AP
Foto divulgada por ONG em Londres mostra Sakineh Mohammadi Ashtiani, que havia sido condenada à execução por apedrejamento no Irã por suposto adultério (08/07/2010
"Os primeiros elementos da investigação mostram que essas pessoas entraram no país como turistas (...) e fizeram perguntas ao filho de Sakineh Mohammadi. Esses dois estrangeiros estão detidos neste momento", disse o procurador, citado pela agência Isna.

Um pouco antes, o Comitê Internacional contra a Lapidação, com sede na Alemanha, indicou que temia que o filho de Mohammadi-Ashtiani tivesse sido preso no domingo, assim como seu advogado Houtan Kian e dois jornalistas alemães.

Sakineh Mohammadi-Ashtiani, mãe de família de 43 anos, foi condenada em 2006 a dez anos de prisão por participação no assassinato de seu marido com um de seus amantes, e condenada à morte por apedrejamento por vários adultérios, segundo as autoridades iranianas.

"A investigação revela que essas pessoas (os dois estrangeiros) não são jornalistas ou, pelo menos, não há prova alguma de que sejam", disse o procurador, sem especificar sua nacionalidade, mas levando a crer que poderiam ser alemães.

Ele afirmou que os dois estrangeiros tinham sido colocados em contato com a família de Mohammadi Ashtiani por um "fugitivo", fazendo, provavelmente, referência à militante Mina Ahadi, porta-voz do Comitê Internacional contra a Lapidação.

"Soube hoje que um iraniano que fugiu de um país estrangeiro havia entrado em contato com a família de Mohammadi e havia dito a ela que dois jornalistas tinham vindo entrevistá-la sobre o caso" de Sakineh. "Em seguida, dois cidadãos desse país foram entrevistar o filho de Mohammadi".

"Durante esse tempo, uma outra pessoa suspeitou deles e informou as autoridades", acrescentou o procurador, sem indicar se o filho da condenada e seu advogado também tinham sido presos.

Mina Ahadi havia informado pouco antes à AFP da provável prisão de dois jornalistas alemães.

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Manifestante vestida como vítima de execução por apedrejamento participa de protesto de exilados iranianos em Berlim, Alemanha, em defesa de Sakineh Mohammadi Ashtiani
"Eu estava com eles ao vivo no telefone durante esta entrevista, ontem (domingo) por volta das 17h00 (12h00 de Brasília), quando de repente um dos jornalistas gritou 'mas o que está acontecendo aqui?' e me disse 'Madame Ahadi, eu devo levá-la'".

"Depois, não tive notícia alguma. Normalmente, conversamos todos os dias. E falei com colegas de Sajjad (Ghaderzadeh, filho de Sakineh) em Tabriz, eles não têm mais notícias. Alguma coisa aconteceu, eu a ouvi. Acredito 100% que eles foram presos", disse.

"Não sabemos onde eles estão, em que prisão, nem se foram levados para Teerã", acrescentou.

Os dois jornalistas trabalham para "um jornal alemão", disse Ahadi, recusando-se a revelar seus nomes "por razões de segurança".

O Ministério alemão das Relações Exteriores não tinha condições de confirmar uma eventual prisão. "Estamos a par desta informação e investigaremos", afirmou nesta segunda-feira um porta-voz do ministério.

No dia 28 de setembro, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano indicou que o procedimento de reexame do caso de Sakineh Mohammadi-Ashtiani não estava concluído. No início de julho, o Irã anunciou que a condenação à morte por apedrejamento, anunciada em 2006 e confirmada em 2007 em apelação, mas não executada, tinha sido "suspensa" e que o caso estava sendo reexaminado.

A comunidade internacional se mobilizou para salvá-la.

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