Estrangeiros que participaram de protestos foram presos, diz Irã

TEERÃ (Reuters) - O Irã disse na segunda-feira que vários estrangeiros que travavam uma guerra psicológica contra o sistema clerical foram presos nos violentos confrontos entre dissidentes e forças de segurança no mês passado. Em 27 de dezembro, quando os xiitas celebravam o feriado religioso da Ashura, oito pessoas foram mortas nas manifestações, e desde então 40 personalidades reformistas, inclusive quatro assessores do dirigente oposicionista Mirhossein Mousavi, foram presos.

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"Vários estrangeiros estão entre os que foram presos no dia da Ashura. Eles estavam liderando uma guerra psicológica contra o sistema (...). Eles entraram no Irã dois dias antes da Ashura", disse o ministro iraniano da Inteligência, Heider Moslehi, a uma TV estatal, sem identificar a nacionalidade dos presos.

As autoridades iranianas acusam a oposição de ligação com "inimigos externos". O ministro disse que os estrangeiros presos serão entregues até quarta-feira ao Judiciário.

Nem o governo nem a oposição demonstram muito interesse em fazer concessões nos seis meses transcorridos desde a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que foi marcada por suspeitas de fraude e mergulhou o Irã na sua pior crise interna desde a Revolução Islâmica de 1979.

Na semana passada, um representante do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, disse que os líderes oposicionistas são "mohareb" (inimigos de Deus), e como tal merecem a pena de morte.

Autoridades radicais acusam a oposição reformista de causar tensões, e conclamam Mousavi e outro ex-candidato derrotado, Mehdi Karoubi, a se arrependerem para não "enfrentarem acusações de apoiar apóstatas em desafio a Deus".

Em nota na sexta-feira, Mousavi disse que não tem medo de se tornar um dos "mártires que perderam suas vidas na luta por exigências justas desde a votação". Segundo ele, o Irã vive uma "séria crise".

A tensão política entrou em uma nova fase desde os confrontos da Ashura, em que um sobrinho de Mousavi foi morto. A polícia nega envolvimento nas mortes. O governo intensificou a repressão nos últimos dias, proibindo agora qualquer manifestação pública.

Sites oposicionistas dizem que dezenas de ativistas foram presos em várias cidades nos últimos dias. Um desses sites, o Jaras, afirmou que mais de 80 professores universitários enviaram uma carta a Khamenei pedindo o fim do "uso da violência" pelas forças de segurança.

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