Estrangeiros pedem ajuda para deixar Abdijan, na Costa do Marfim

Helicópteros das forças francesas intervieram para salvar diplomata japonês, cuja casa foi atacada por 'mercenários'

iG São Paulo |

Vários jornalistas estrangeiros e diplomatas do Japão, Israel e Índia pediram ajuda aos Estados Unidos nesta quarta-feira para deixar Abdijan, maior cidade da Costa do Marfim. A residência do embaixador japonês em Abidjan foi atacada por "mercenários". Para salvar o diplomata, forças francesas interviram.

Helicópteros da força francesa Licorne realizaram uma operação para retirar o embaixador do Japão da sede diplomática nipônica. "Quatro pessoas, três agentes de segurança e o jardineiro, desapareceram", denunciou o embaixador japonês Okamura Yoshifumi. "Há muito sangue em toda a casa, marcas de balas por todos os lados. Não sei se os quatro estão vivos", declarou o embaixador.

Também nesta quarta-feira, forças leais a Alassane Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional como o presidente eleito na Costa do Marfim, lançaram um pesado ataque contra o bunker onde Laurent Gbagbo está isolado, mas aparentemente a ofensiva foi repelida, disse uma fonte militar ocidental.

Os confrontos seguiam pelo terceiro dia consecutivo na capital econômica do país, Abidjan, enquanto as forças de Ouattara tentavam depor Gbagbo, que se recusa a deixar o poder após perder a eleição em novembro para Ouattara.

A fonte, que mora perto da residência de Gbagbo em Abidjan, disse que o confronto arrefeceu durante a tarde e que as forças de Ouattara haviam se reagrupado. "Eles tentaram tomar a residência de Gbagbo nesta manhã, mas a investida fracassou", afirmou a fonte sob anonimato. "Eles não conseguiram passar pela resistência vinda de todos os armamentos pesados ainda escondidos em torno da residência de Gbagbo. Eles se retiraram para repensar e replanejar."

AP
Soldados leais a Ouattara são vistos em Abidjan (06/04)

Militares franceses disseram que seus soldados não participaram do ataque, diferentemente do ocorrido no início da semana, quando ataques aéreos da França e da Organização das Nações Unidas (ONU) apoiaram o avanço dos rebeldes dentro de Abidjan.

Impasse

Negociações para persuadir Gbagbo a deixar o poder atingiram um impasse nesta quarta-feira, após ele resistir às pressões da ONU e da França para assinar um documento em que renuncia às suas reivindicações de poder. "As negociações ocorridas por horas ontem (terça-feira) entre a equipe de Laurent Gbagbo e as autoridades marfinenses fracassaram por causa da intransigência de Gbagbo", disse ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, ao Parlamento francês.

Em tom desafiador, Gbagbo negou estar disposto a se render e negou, em entrevista à rádio francesa RFI, que estivesse negociando sua saída. "Não estamos na fase de negociações. E minha saída de onde? Para onde?", afirmou.

Nos últimos dias, a oposição apertou o cerco contra Gbagbo, com a ajuda de ataques aéreos de forças da ONU e da França. Na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, voltou a condenar a resistência de Gbagbo e expressou “profunda preocupação” com a situação na Costa do Marfim.

A crise no país começou em novembro, quando o resultado das eleições - aprovado pela ONU - indicou a vitória de Ouattara. O governo, então, anulou o conteúdo de urnas no norte da Costa do Marfim, afirmando que houve fraude, e declarou Gbagbo vencedor.

Desde então o país vem sendo palco de disputas intensas entre forças leais aos dois lados, e na semana passada forças leais a Ouattara lançaram uma ofensiva militar para tentar retirar Gbagbo do poder.

Simpatizantes de Ouattara e de Gbagbo se acusam mutuamente pelas mortes causadas pela onda de violência. Segundo o Comitê da Cruz Vermelha Internacional, ao menos 800 pessoas teriam sido mortas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os ataques têm como objetivo proteger civis e não eram uma declaração de guerra a Gbagbo. O comandante das forças de paz da ONU no país, Alain Le Roy, disse que a decisão foi tomada com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que autoriza esse tipo de ação.

Segundo ele, a intensidade do uso de armamentos pelas forças de Gbagbo e os calibres das armas vinham aumentando fortemente nos últimos dias. A missão da ONU no país também teria sido alvo de ataques contínuos, segundo ele.

A ONU anunciou ainda que enviará à Costa do Marfim um representante para investigar um massacre de centenas de civis na cidade de Duekoue, no oeste do país, na semana passada.

Nesta quarta-feira, o promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, disse que investigará alegações de massacres sistemáticos ocorridos na Costa do Marfim devido à crise.
Ocampo disse que seguirá coletando evidências dos supostos crimes que teriam sido cometidos por ambos os lados.

* Com BBC, Reuters, AFP e AP

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