Estrangeiros de ONG médica deixam campo no Quênia após sequestro

Médicos Sem Fronteiras anunciou que equipes serão transferidas para a capital, mas que serviços emergenciais continuam disponíveis

iG São Paulo |

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou nesta sexta-feira a retirada de suas equipes estrangeiras do campo de refugiados de Dadaab, no Quênia, após o sequestro de duas espanholas encarregadas de trabalhos logísticos. Fontes da polícia afirmaram na quinta que o grupo fundamentalista islâmico somali Al-Shabab estaria por trás do rapto das funcionárias.

AP
Pais cuidam de seus filhos enquanto eles são tratados pela organização Médicos Sem Fronteiras em Dadaab, no Quênia (11/7)

"Nesse momento, as equipes estão fora dos campos de refugiados", disse nesta sexta o presidente da MSF na Espanha, José Antonio Bastros, durante entrevista coletiva em Madri. "A maioria dos estrangeiros foi retirada, bem como funcionários locais que preferiram partir", destacou um porta-voz da MSF no país, acrescentando que eles serão transferidos para a capital, Nairóbi. A organização detalhou que seus serviços de emergências continuam disponíveis com uma equipe local e um grupo de funcionários estrangeiros.

A MSF tem 49 trabalhadores internacionais em Dadaab e 343 locais. No campo de Ifo, um dos três que compõem Dadaab e onde ocorreu o incidente, a organização tem oito voluntários internacionais e 60 trabalhadores locais.

Bastos também divulgou as identidades das duas mulheres sequestradas: a catalã Montserrat Serra, 40 anos, e a madrilenha Blanca Thiebaut, 30, que trabalhavam na logística da construção de um hospital no campo de Ifo, um dos três que formam o complexo de refugiados de Dadaab. Ele afirmou que a MSF "está em contato com as famílias" das voluntárias e "com todas as autoridades pertinentes desde o primeiro momento", como o Ministério das Relações Exteriores espanhol.

Representantes do ministério e da MSF fizeram uma reunião de coordenação nesta sexta. "Estamos fazendo tudo o que está em nossas mãos para conseguir a volta das voluntárias sãs e salvas o mais rápido possível", destacou.

O presidente da MSF na Espanha não quis se pronunciar se a ONG está usando mediadores próprios no sequestro, e acrescentou que a organização esteve em contato também com as autoridades do Quênia. "Formular uma hipótese sobre a autoria é um exemplo muito claro da informação que poderia pôr em perigo a pronta resolução desse incidente", disse. Por isso, ele pediu a todos os envolvidos que não comentem publicamente o assunto. A família de Thiebaut já expressou o desejo de não se envolver com o alvoroço midiático e não quis dar informações sobre a situação.

A polícia queniana afirmou nesta sexta que teme que as duas espanholas sequestradas tenham sido levadas para a Somália. Elas, que estavam sem escolta, viajavam em um veículo que foi assaltado a disparos por três homens na quinta-feira, por volta de 13h30 no horário local (7h30 no horário de Brasília) em Dadaab, que abriga 450 mil refugiados, número de habitantes correspondente a terceira maior cidade do país.

No assalto, o motorista Mohammed Hassan Borle, de 31 anos, ficou ferido e está hospitalizado "em situação estável e fora de perigo", afirmou Bastos. A ONG não pôde estabelecer contato com as trabalhadoras sequestradas e desconhece a autoria do ataque e o estado de saúde das voluntárias.

Esse é o terceiro sequestro de estrangeiras em menos de um mês no país africano. No mês passado, a britânica Judith Tebbutt foi sequestrada por homens armados de um resort localizado em Kiwayu. Seu marido David foi morto. Acredita-se que Tebbutt está sob o poder do Al-Shabab na Somália. Em 1º de outubro, uma francesa de 66 anos também foi raptada por uma quadrilha em um resort de Manda e levada para Somália. O ministério das Relações Exteriores britânico fez um alerta sobre viagens à costa do Quênia.

Com AFP e EFE

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