Estímulo econômico dos EUA entra em 2º ano com aumento de gastos

César Muñoz Acebes Washington, 17 fev (EFE).- Enquanto alguns países europeus fazem planos econômicos para reduzir os gastos governamentais, o programa de estímulo econômico dos Estados Unidos entrou hoje em seu segundo ano a um ritmo de gastos mais acelerado, destinado especialmente a infraestruturas.

EFE |

Em 17 de fevereiro de 2009, o presidente Barack Obama assinou em Denver, em uma mesa emprestada da Mansão do Governador do Colorado, a lei que pôs em suas mãos US$ 787 bilhões para incentivar a atividade econômica, o que significou sua primeira conquista como presidente.

Na ocasião, os Estados Unidos passavam pelos dias mais difíceis da crise, quando a cada mês se perdiam 750 mil empregos, uma taxa "de pesadelo", segundo disse Jared Bernstein, um dos assessores econômicos mais influentes da Casa Branca, em um encontro com jornalistas hispânicos.

Um ano depois, o principal resultado do programa foi evitar que os Estados Unidos caíssem em uma segunda Grande Depressão, como a dos anos 30, lembrou hoje Obama.

"Nosso trabalho está longe de ter terminado, mas tiramos a economia do pior da crise", disse o líder.

Até agora, o Governo usou US$ 300 bilhões do programa de estímulo, um dinheiro com o qual criou ou salvou 2 milhões de empregos, segundo a Casa Branca e o Escritório de Orçamentos do Congresso, uma entidade autônoma do Parlamento.

O Governo pretende injetar pelo menos US$ 32 bilhões ao mês na economia até setembro, US$ 5 bilhões a mais que até agora, segundo um relatório apresentado pelo vice-presidente, Joe Biden, encarregado de coordenar o plano.

Finalmente sairão do papel projetos importantes do Governo, como linhas ferroviárias de alta velocidade, modernização das redes elétrica e informática e mais pesquisa em saúde.

A administração demorou a colocá-los em andamento porque sua grande envergadura exige trâmites de licitação e planejamento.

Em seu primeiro ano, os fundos de estímulo se dedicaram a fins de fácil desembolso, como cortes tributários e subsídios a desempregados e aos estados para que não despedissem professores, policiais e outros funcionários.

O programa sustentará a demanda em um momento no qual as famílias cortaram os gastos, o que ajudará tanto a economia do país como a de seus parceiros comerciais, segundo os analistas.

Os Estados Unidos é capaz de manter seu alto nível de gastos, apesar do alto déficit porque os investidores não puseram em dúvida a capacidade de pagar a dívida, como ocorreu com países como a Grécia, Portugal e Espanha, o que fez aumentar as gratificações de risco.

A maior oposição ao programa de estímulo está em nível interno, pois os números vermelhos assustaram o público, descrente de que valha a pena tantos gastos.

Apenas 6% dos americanos acredita que o programa criará empregos, segundo uma pesquisa da rede "CBS" e do jornal "The New York Times" da semana passada.

Obama reconheceu que para muitos americanos a situação econômica atual "não é sentida ainda como uma recuperação", mas a Casa Branca insiste que seria muito pior se não houvesse o programa de estímulo.

O plano "teve êxito ao deter a queda livre da economia", disse Bernstein, principal assessor econômico de Biden.

O Governo mantém os planos de criar ou salvar 1,5 milhão de postos de trabalho em 2010, mas reconhece que isso fará pouca diferença na taxa de desemprego.

O desemprego afeta agora 9,7% da população e o Governo prevê que aumente para 10% em média neste ano. Os republicanos usam esses números como prova de que o programa de estímulo fracassou.

Apenas três republicanos, todos no Senado, votaram a favor do plano, que seu partido considera um desperdício de dinheiro.

Michael Steele, o presidente do partido, assinalou hoje que o programa "afundará a economia" e "prejudicará o setor privado para alimentar o crescimento incessante do Governo".

Obama, por sua vez, ressaltou que muitos dos legisladores republicanos que atacam o programa também "assistem às cerimônias de inauguração dos projetos em seus distritos".

Já os diretores do Federal Reserve (Fed, banco central americano) esperam que a economia dos EUA cresça neste ano 3,2% e que o desemprego se mantenha sem muitas variações pelo restante de 2010, segundo as atas de sua última reunião, publicadas hoje.

Desde o início da recessão em dezembro de 2007, o Fed utilizou diversos instrumentos de estímulo monetário, incluindo a compra de bônus do Tesouro de longo prazo, de títulos hipotecários e de letras de câmbio comerciais. EFE cma/sa

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