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Estatinas reduzem risco de demência pela metade

Uma pesquisa de cientistas americanos indicou que o uso de estatinas, substâncias utilizadas no combate ao colesterol, por um longo período de tempo pode reduzir até pela metade o risco de demência, como perda de memória e mal de Alzheimer. O estudo acompanhou idosos de origem mexicana em Sacramento, Califórnia, desde 1997.

BBC Brasil |

De 1.674 que não apresentavam nenhum tipo de demência ou disfunção cognitiva no início do estudo, 27%, ou 452, tomaram estatina em algum momento da pesquisa.

Ao longo dos cinco anos seguintes, 130 desenvolveram algum tipo de demência ou disfunção cognitiva. Os pesquisadores ajustaram os resultados considerando fatores como educação, hábito de fumar, a presença de determinados genes que, acredita-se, indicam demência, e o histórico de diabetes e infartos de cada um.

"Se uma pessoa toma estatina ao longo de 5 a 7 anos, reduz pela metade o risco de demência, e essa é uma grande mudança", afirmou a coordenadora da pesquisa, Mary Haan, professora de epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan.

"Não estamos sugerindo que as pessoas tomem estatina para outras finalidades que não aquelas para as quais o medicamento é indicado. Mas esperamos que este estudo e outros abram as portas para testes envolvendo o uso de estatina contra a demência e outros tipos de disfunções cognitivas."
As conclusões do estudo circulam na edição da revista científica Neurology, que chega ao público nesta terça-feira.

Alzheimer
Estudos anteriores do grupo da professora Haan haviam estabelecido que certos problemas metabólicos e desordens vasculares têm relação com doenças como o mal de Alzheimer. Por exemplo, pessoas com diabetes tipo 2 têm três vezes mais probabilidade de desenvolver Alzheimer, calcularam os cientistas.

Outros fatores de risco são colesterol alto, obesidade e hipertensão.

Haan ressalvou que o estudo não considerou o uso de estatina para o tratamento de demência já existente, e sim de forma preventiva. As substâncias são utilizadas para o tratamento do chamado colesterol ruim, ou LDL.

O próximo passo, segundo ela, é determinar exatamente de que maneira a estatina atua no percurso biológico que conduz à demência. Como um dos fatores de risco é o alto nível de insulina, uma teoria é que as estatinas atuam de modo a corrigir esses níveis no cérebro.

"Em pessoas mais idosas há tantos e diferentes tipos de doenças crônicas que os efeitos de alguma intervenção tardia são limitados", disse Haan. "Digamos que você tenha 75 ou 80 anos e seis doenças. Quanto um tratamento vai ajudar de verdade?", ela diz.

"Nossa pesquisa mostra que se você começar tomar estatinas antes de que as demências se desenvolvam, é possível prevenir até metade dos casos."

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