Estados Unidos dão direitos aos prisioneiros de Bagram

Os Estados Unidos vão dar direitos aos cerca de 600 prisioneiros do centro de detenção americano de Bagram, às vezes chamado de Guantánamo afegão.

AFP |

O Pentágono anunciou, nesta segunda-feira, que estes homens contarão com a ajuda de um responsável militar americano para reunir provas materiais e testemunhos.

Ele poderão em seguida se defender, e até convocar testemunhas, diante de um conselho militar encarregado de reexaminar os casos.

"O objetivo é garantir que os prisioneiros sejam apresentados a um conselho onde possam contestar sua detenção", explicou à imprensa o porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, destacando que as medidas estão na primeira fase de aplicação.

"É uma prática que instauramos no Iraque para nos ajudar a administrar a população dos detentos e a reduzi-la a médio prazo, mantendo apenas os prisioneiros mais perigosos", destacou Whitman.

Situada na base aérea de Bagram, ao norte de Cabul, a prisão deve ser substituída por um vasto complexo penitenciário.

Ao contrário dos de Guantánamo, os prisioneiros de Bagram não têm direito a advogados, e sequer sabem que acusações pesam contra eles.

Em julho, centenas destes detentos iniciaram um movimento de protesto, expressando o temor de ficar presos pelo resto de suas vidas. Eles se recusaram a participar das videoconferências ou a receber a visita de seus familiares previstas por um programa da Cruz Vermelha.

O momento do anúncio destes novos direitos é simbólico: o governo de Barack Obama tem até a meia noite desta segunda-feira para recorrer de uma decisão de justiça dando aos prisioneiros de Bagram que não foram detidos no Afeganistão o direito de contestar sua detenção diante de tribunais dos Estados Unidos.

"Estamos satisfeitos com a instauração de um exame suplementar (dos casos), mas esperamos que o processo seja eficiente", declarou à AFP Stacy Sullivan, da Human Rights Watch (HRW).

Ela lembrou que o mesmo tipo de reexaminação instalado em Guantánamo pelo governo de George W. Bush não provou sua eficácia mas serviu para "manter os detentos que o Pentágono queria manter".

"É um problema antigo, pois eles não sabem realmente quem prenderam" em Bagram, acrescentou à AFP Geneve Mantri, da Anistia Internacional.

"Nenhuma organização de defesa dos direitos humanos nunca teve acesso (à prisão)", explicou Mantri, lembrando que alguns dos 600 detentos de Bagram estão presos "há cinco ou seis anos".


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