Estados Unidos criticam presença do Irã na América Latina

Washington, 7 mai (EFE).- O Irã usa a América Latina em seu conflito diplomático com Washington, afirmou hoje o secretário de Estado assistente dos EUA para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, que pediu aos países da zona que acatem as sanções contra Teerã.

EFE |

"O Irã encontra na América Latina uma forma de mostrar que pode expressar-se na arena internacional, especialmente em uma região onde os Estados Unidos são vistos como um poder principal", disse Shannon.

"É uma forma de atuar contra nós", acrescentou o funcionário, em uma conferência anual organizada pelo Conselho das Américas, que reúne multinacionais americanos que operam na América Latina.

O Irã estreitou especialmente suas relações com a Venezuela, cujo Governo, junto com o de Teerã, não desperdiça oportunidades para "criticar o imperialismo americano".

Shannon não falou desta vez sobre a Venezuela e concentrou seus comentários no Irã, país que disse ter tido "um papel importante" no ataque terrorista de 1994 à Associação Mutual judaica Amia, em Buenos Aires, que deixou 85 mortos.

O funcionário disse que grupos armados latino-americanos têm relações com o Hisbolá, a organização radical xiita libanesa que, segundo os Estados Unidos, receberia apoio do Irã.

Shannon afirmou que os serviços de inteligência de seu país vigiam essas conexões. "Não queremos que o Irã se transforme em um fator de violência na América Latina", disse.

No passado, o Governo de Washington afirmou que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tinham vínculos com o Hisbolá.

Shannon pediu aos Governos da região que cumpram as sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Irã por seu programa nuclear e seu suposto apoio ao terrorismo.

Apesar destas advertências, o funcionário se expressou em termos positivos sobre a região, e destacou que o presidente George W. Bush deixará o Governo, em janeiro de 2009, tendo "estabelecido uma relação sólida" com a América Latina.

"A América Latina e o Caribe que o presidente Bush entregará a seu sucessor são totalmente diferentes dos que herdou em 2001", apontou.

Como prova, citou a "nova relação" entre EUA e Brasil; a eleição de Felipe Calderón no México, e a vitória eleitoral do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, após um período de crise econômica e política em seu país.

Sobre o Brasil, declarou que o Executivo dirigido por Bush e o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva deixaram para trás uma relação bilateral caracterizada pela tensão.

"O novo vínculo entre ambos os países é uma de nossas conquistas mais importantes", destacou. EFE cma/gs

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