Estados do sul dos EUA retomam as execuções de condenados

Vários estados do sul dos Estados Unidos se preparam para retomar as execuções de condenados o quanto antes, após a decisão da Suprema Corte que considerou constitucional o uso da injeção letal, ainda que outros estados prossigam em batalhas jurídicas que poderiam durar anos.

AFP |

Logo após o anuncio da decisão na última quarta-feira, vários governadores declararam que planejavam retomar as execuções, suspensas desde o final de setembro passado, à espera do pronunciamento da maior instância judicial do país sobre o método de execução.

A decisão da Corte sóo se aplica diretamente a Kentucky, o estado dos dois demandantes, mas vários outros estados consideram a questão da jurisprudência, que validaria procedimentos similares.

"A decisão da Suprema Corte americana legitima o método usado pelo estado do Texas para aplicar a pena de morte", declarou Rick Perry, governador do estado responsável por mais de um terço das execuções do país nos últimos 30 anos. Segundo a imprensa local, o promotor de Houston já pediu uma data de execução para seis condenados.

O promotor de Oklahoma, Drew Edmondson, também reclamou uma data de execução nos próximos dois meses para dois condenados.

A decisão da Corte "levanta a barreira que impediu à justiça seguir seu caminho há um ano", comemorou o promotor do Alabama, considerando uma "vitória" bem-vinda "em uma época em que muitos tribunais foram longe demais para criar direitos para os culpados".

O governador da Virginia, Tim Kaine, pessoalmente contra a pena de morte, anulou na quarta-feira uma resolução que suspendia as execuções em seu estado, o que reinstaura as datas de execução de três condenados. A primeira está prevista para o dia 27 de maio, mas o condenado ainda pode recorrer.

Desde a quinta-feira, a Flórida pediu à Suprema Corte autorização para uma execução suspensa em novembro, alegando que o condenado não tinha possibilidade de convencer os juízes que seu caso era diferente ao dos condenados de Kentucky.

Por outro lado, os advogados de um condenado do Mississipi pediram na quinta-feira à Suprema Corte que reconheça que o procedimento nesse estado não representava as mesmas garantias que em Kentucky, principalmente no que diz respeito à dose de anestesia e formação dos funcionários penitenciários.

Criada em 1977, com o objetivo de oferecer morte pacífica e rápida, a injeção letal consiste na administração de três substâncias: a primeira faz o condenado dormir, a segunda bloqueia a respiração ao paralisar seus músculos e a terceira faz parar o coração.

Se tudo ocorrer normalmente, a pessoa perde rapidamente os sentidos e morre em poucos minutos. No entanto, caso a primeira substância for mal administrada, as duas injeções seguintes resultam extremamente dolorosas, como apontaram várias pesquisas científicas e uma série de execuções fracassadas.

fc/cl

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG