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Esquerdistas querem usar a crise para enterrar neoliberalismo

Viña del Mar (Chile), 27 mar (EFE).- Políticos e intelectuais da esquerda europeia e americana propuseram hoje, durante a Cúpula de Líderes Progressistas, realizada na cidade chilena de Viña del Mar, que se aproveite a atual crise econômica e financeira para enterrar definitivamente o modelo neoliberal.

EFE |

Este encontro reúne cerca de 200 acadêmicos e autoridades de 17 países que debatem sobre respostas à crise, antes da cúpula de líderes, da qual participará amanhã o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele se reunirá com os chefes de Estado de países como Uruguai, Chile, Argentina, Espanha, Reino Unido e Noruega, além do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Na abertura da cúpula, o Brasil foi representado pelo assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, que defendeu uma "volta à política" e maior intervenção estatal.

O mesmo tom foi adotado pelo senador socialista chileno Ricardo Núñez, presidente do Instituto Igualdade, entidade que organiza o seminário.

"A atual crise representa a dramática comprovação de que o paradigma 'neoliberal' e conservador, dominante na atual etapa do desenvolvimento capitalista, fracassou. Por isso, a humanidade deve se encaminhar a uma nova ordem internacional que permita governar de maneira efetiva este mundo radicalmente interdependente", alegou.

Roger Liddle, vice-diretor da organização Policy Network, que também promove o encontro, discursou de modo um pouco mais ponderado.

"Não podemos achar que, porque o modelo 'neoliberal' fracassou, a política progressista (esquerdista) tenha ganhado", disse.

Nesta mesma linha, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou que "se não se aplicarem mudanças estruturais, dentro de poucos anos pode haver uma nova crise, que será pior".

"Falamos de mudanças na governabilidade, de reformar as finanças internacionais, mas não escutei como fazê-las; nós nos apressamos a festejar o fim de uma era, mas essa era pode voltar dentro de uns anos", insistiu Insulza, involuntariamente confessando o clima de festa pela crise que quebrou empresas e acabou com empregos em todo o mundo.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos OEA se disse cético a respeito de que a próxima reunião do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes) aborde este eventual problema.

Robert Reich, professor de Políticas Públicas da Universidade de Berkeley, na Califórnia, e que foi assessor do ex-presidente americano Bill Clinton, também discordou dos que pensam que "dentro de um ano" se estará de volta aos patamares anteriores, dizendo que "essa é uma visão perigosa, porque a situação era insustentável".

"Ainda não temos um enfoque coerente que se traduza em plataformas políticas que ganhem eleições", afirmou Reich, que propôs taxar os lucros de capital em curto prazo.

O senador e ex-presidente chileno Eduardo Frei, candidato governista à eleição presidencial de dezembro, também optou pelos slogans chamativos, pedindo "o fortalecimento da política democrática e a libertação definitiva dos 'complexos neoliberais'".

Frei, que governou o Chile de 1994 a 2000 e tem como maior adversário neste ano o empresário conservador Sebastián Piñer, aproveitou para se promover, dizendo que "esta crise exige líderes com responsabilidade e confiáveis".

Também lançou uma indireta contra seu rival, falando que "certamente não é o momento dos aventureiros, dos especuladores nem dos populistas".

Matthias Machnig, ministro do Meio Ambiente da Alemanha foi mais um a se preocupar com o desempenho eleitoral da esquerda, dizendo que "pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, as classes médias têm a sensação de cair ladeira abaixo, o que levará a uma sociedade extremamente conservadora".

O pessimismo dos esquerdistas europeus também se mostrou no discurso de James Purnell, secretário do Trabalho e da Previdência do Reino Unido, para quem "não está claro que este seja um momento ideal para as esquerdas; tudo dependerá das decisões que tomemos nos próximos meses".

Para ele, "a direita vai utilizar esta crise para tentar reduzir o Estado do bem estar social". EFE mf/jp

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