Esquerda protesta em Roma contra Governo Berlusconi

Roma, 11 out (EFE).- Milhares de pessoas convocadas pela esquerda extraparlamentar protestaram hoje em Roma contra a política do Governo do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi.

EFE |

Ao mesmo tempo, o partido Itália dos Valores (IDV) organizou um comício para recolher assinaturas com o objetivo de realizar um plebiscito que invalide a lei que garante imunidade a Berlusconi.

Cerca de 300 mil pessoas, segundo a organização, e menos de 100 mil, segundo a Polícia municipal, desfilaram hoje pelo centro de Roma.

A manifestação foi convocado pelos Partido da Refundação Comunista (PRC), Partido Comunista Italiano (PCI), Democratas de Esquerda (DS) e Federação dos Verdes - todos eles sem representação parlamentar - para protestar contras as medidas que chamam de "antipopulares" do Governo conservador.

Os manifestantes criticaram também a prevista reforma da escola pública, um dia depois que milhares de estudantes saíram às ruas de Roma para protestar contra uma reforma, que entre outras coisas prevê que a nota de comportamento conte na aprovação e a supressão de 100 mil empregos.

Os líderes de esquerda também criticaram o progressista Partido Democrata (PD), o principal da oposição, que acusaram de "não fazer oposição e de ter se transformado em amigo do Governo", conforme criticavam alguns dirigentes do PRC.

Paralelamente à manifestações, o líder do IDV, o ex-juiz Antonio Di Pietro, convocou milhares de pessoas na Praça Navona de Roma, onde instalou dezenas de toldos para recolher assinaturas para pedir um plebiscito que derrogue a lei que dá imunidade aos quatro cargos mais importantes do Estado.

A lei foi aprovada em 22 de julho e, segundo a oposição, serve para salvar Berlusconi de seus problemas com a Justiça.

A medida prevê a suspensão de processos penais - inclusive os que foram iniciados antes de assumir o cargo - contra o Chefe do Estado, o premier e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.

Nos casos do Chefe do Estado e do premier ficam excluídos desta imunidade os possíveis delitos cometidos durante o exercício de sua função.

Portanto, continuarão sendo aplicados os artigos 90 e 96 da Constituição, que estabelecem que o Chefe do Estado pode ser processado por alta traição e atentado à Carta Magna e o premier por delitos cometidos durante seu mandato, com prévia autorização do Parlamento.

Segundo Di Pietro, que luta desde então para que a norma seja abolida, "os cidadãos têm direito de saber se o chefe de Governo é ou não um criminoso, já que saber disso" após o fim de seu mandato "não serve para nada".

No entanto, o PD não está de acordo com Di Pietro na convocação do plebiscito, ao considerar que Berlusconi não pode ser derrotado no plano político com base em consultas populares. EFE jl/ab/rr

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