Esquerda latino-americana incorpora novas bandeiras à sua luta

Montevidéu, 23 mai (EFE).- A defesa do meio ambiente, as questões de gênero e a luta contra a discriminação são algumas das novas bandeiras da esquerda latino-americana, evidenciaram hoje os participantes do 15º encontro do Foro de São Paulo realizado na capital uruguaia.

EFE |

Belela Herrera, encarregada de Relações Internacionais da coalizão Frente Ampla, no poder no Uruguai, declarou que assuntos como ecologia, exclusão, racismo e xenofobia se somaram como "novos desafios inseparáveis" aos ideais tradicionalmente defendidos pelas organizações que integram o Foro de São Paulo.

"As grandes bandeiras da esquerda", como liberdade, justiça social, democracia e direitos humanos permanecem sendo "o norte" que marca o caminho dos partidos reunidos no Foro, acrescentou Herrera, que ocupou o cargo de vice-chanceler do Uruguai até o dia 1º de março.

Neste encontro do Foro de São Paulo, que começou ontem e terminará no próximo domingo, será debatida, além disso, a situação política e social da América Latina quando vários partidos integrantes desta iniciativa estão no poder em países da região.

Sob o lema "Unidade. Diversidade. Integração", serão realizadas sessões plenárias no sábado e no domingo, quando abordarão os pontos de vista sobre a chegada da esquerda ao poder, será feito um balanço político da situação latino-americana atual, serão analisados os processos de integração em andamento e diversos assuntos sociais.

"Compartilhamos metas, objetivos, propósitos, sonhos e utopias", disse o secretário de Relações Internacionais do Partido da Revolução Democrática (PRD) do México, Saúl Escobar, para quem a esquerda da América Latina e do Caribe "não só permanece viva, mas continua crescendo e se fortalecendo".

Para Escobar, a iniciativa do Foro é "inédita no mundo, pela diversidade cultural, de trajetórias e de experiências que representam os diferentes partidos políticos que o integra".

Escobar antecipou que a próxima reunião do Foro de São Paulo será realizada no México, uma responsabilidade que, segundo disse, seu partido assume com "alegria", sem dar mais detalhes sobre esse encontro.

Na capital uruguaia, o Foro fará homenagens ao ex-presidente chileno Salvador Allende (1908-1973) por causa do centenário de seu nascimento, e ao guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara (1928-1967), que este ano realizaria seu 80º aniversário.

O conflito da Colômbia, que nos últimos meses tomou ares regionais por causa da crise que o ataque de tropas colombianas a um acampamento das Farc no Equador desencadeou nas relações entre Quito e Caracas, também estará muito presente nesta reunião, segundo confirmou o secretário-executivo do Foro, o brasileiro Valter Pomar.

Estarão presentes no encontro na capital uruguaia cerca de 200 delegados de toda a América Latina e do Caribe, assim como observadores de Alemanha, Bélgica, China, Itália, Japão, Portugal e Vietnã.

Para amanhã, está sendo esperada a chegada do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que além de participar do Foro se reunirá com seu colega uruguaio, Tabaré Vázquez, e voltará ao seu país na próxima segunda-feira.

O Foro de São Paulo, criado em 1990 na cidade de mesmo nome por 48 partidos e movimentos sociais para discutir os rumos da esquerda após a queda da "cortina de ferro", e formular alternativas aos Governos neoliberais da época na América Latina, é composto agora por cerca de 70 organizações políticas e sociais da região. EFE mtc/bm/ma

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