Esquerda italiana não terá representação parlamentar pela primeira vez

Roma, 14 abr (EFE).- Pela primeira vez na história parlamentar da Itália, os principais partidos da esquerda do país não contarão com representação nem na Câmara dos Deputados, nem no Senado.

EFE |

A coalizão Esquerda-Arco-Íris, que reúne o Partido da Refundação Comunista (PRC), o Partido Comunista Italiano (PCI), a corrente socialista Esquerda Democrática (SD, em italiano) e a Federação dos Verdes (FdV), não conseguiu o número mínimo de votos exigido para obter representação em nenhuma das Câmaras.

Segundo resultados ainda não definitivos, a coalizão não chegou aos 4% do total de votos - porcentagem prevista por lei para obter representação na Câmara dos Deputados - ficando com 3,1%; enquanto no Senado obteve 3,2% da preferência do eleitorado, longe dos 8% exigidos pela legislação.

A Esquerda-Arco-Íris foi criada em dezembro de 2007 para a disputa das atuais eleições depois da ruptura da coalizão de centro-esquerda A União, liderada por Romano Prodi, que governou no último mandato.

No pleito de 2006, o PRC, incluído na coalizão de Prodi, conquistou 41 deputados e 27 senadores - muito mais do que os escassos resultados conquistados hoje pela Esquerda-Arco-Íris.

Esse desastre nas urnas levou à renúncia do líder da coalizão de esquerda, o comunista Fausto Bertinotti, de 68 anos, que anunciou sua retirada antes do final da apuração dos votos.

Em declarações à imprensa, Bertinotti, presidente em fim de mandato da Câmara dos Deputados, admitiu sua derrota e disse que era "de proporções imprevistas", ao mesmo tempo em que pediu "um processo de renovação na esquerda italiana".

As explicações para a derrota da esquerda são diversas. O líder do PCI, Oliviero Diliberto, chegou a atribuí-la ao desaparecimento da foice e do martelo, tradicionais símbolos do comunismo, no logotipo da coalizão.

O até agora porta-voz da FdV no Congresso, Angelo Bonelli, alegou que a proposta política da esquerda não foi bem comunicada.

O porta-voz do PRC no Senado, Giovanni Russo Spena, disse que a polarização da campanha eleitoral nos dois grandes partidos - o Povo da Liberdade, de Silvio Berlusconi, e o Partido Democrata, de Walter Veltroni, - "puniu" o restante das legendas. EFE ebp/bba/fb

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