Esquerda critica envio de tropas francesas ao Afeganistão

Paris, 3 abr (EFE) - Deputados da oposição de esquerda apresentaram hoje uma moção de censura, que parece destinada ao fracasso, contra o Governo conservador francês para denunciar o envio de tropas francesas ao Afeganistão por parte do presidente, Nicolas Sarkozy.

EFE |

A moção, anunciada há dois dias, foi introduzida na Câmara dos deputados no dia em que, na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bucareste, Sarkozy anunciou o envio de 700 soldados adicionais ao Afeganistão.

Ele também planeja para 2009 o retorno da França à estrutura militar integrada da Aliança Atlântica, se houver avanços na defesa européia.

"Queremos instruir os franceses sobre a perigosa ruptura que o presidente e seu Governo estão fazendo com o consenso nacional que prevalecia a respeito dos princípios de independência militar e estratégica" da França, indica o texto da moção.

Ela será debatida na próxima terça-feira na Câmara dos deputados, sem ter qualquer chance de prosperar, pois o partido conservador governante, a União por um Movimento Popular (UMP), detém maioria absoluta.

Assinada por deputados socialistas, comunistas e Verdes, é a primeira moção de censura apresentada desde a chegada de Sarkozy ao Palácio do Eliseu, em maio passado.

Houve um intenso debate no Partido Socialista entre os que queriam centrar a moção no envio de tropas adicionais francesas ao Afeganistão e o lugar da França na Otan, e os que desejavam aproveitar para criticar toda a política do Governo.

Os primeiros venceram, embora no texto se denuncie também "o plano de austeridade" do Governo e a "obstrução" de reformas sociais.

Na moção, que tem 226 assinaturas, os deputados de esquerda rejeitam o envio de tropas adicionais ao Afeganistão, assim como fizeram no debate, sem voto, de terça-feira passada sobre este tema.

Eles também criticam a volta ao comando integrado da Otan, que, afirmam, privaria a França de sua "liberdade" de decisão no mundo e deixaria o país "ligado a uma doutrina de blocos que sempre recusou". EFE al/db

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