Esposas podem revidar violência de maridos, diz clérigo egípcio

As esposas que sofrem violência física de seus maridos têm o direito de revidar, de acordo com o clérigo egípcio Abdel Hamid al-Atrash - uma das maiores autoridades sunitas do mundo árabe. Uma esposa tem o direito legítimo de bater em seu marido para se defender, disse Atrash ao jornal egípico Al-Masry.

BBC Brasil |

"Todos têm o direito de se defender, sejam homens ou mulheres, porque todos os seres humanos são iguais perante Deus", acrescentou.

O clérigo preside o comitê de decretos religiosos, ou fatwas, da Univerisade Al-Azhar, no Cairo - a segunda universidade mais antiga do mundo, fundada no ano de 988.

Outras vozes
Outros religiosos manifestaram idéias semelhantes nos últimos dias. O xeque saudita Abdel Mohsen Abiakan disse que as esposas deveriam usar "o mesmo tipo de violência" usado contra elas, incluindo "tiras de couro ou cabos de aço".

O pregador muçulmano e escritor turco Fetullah Gulen disse que a mulher deve "dar dois golpes para cada um que receber".

A relatora especial da ONU responsável por monitorar a questão da violência contra as mulheres, Yakin Ertrk, declarou, na semana passada, que "a Arábia Saudita apresenta avanços em relação ao status da mulher, mas é preciso fazer mais para reduzir a violência entre os sexos".

"Enquanto algumas mulheres se mostram felizes com a vida que levam, outras se dizem preocupadas com a discriminação e relatam abusos domésticos sistemáticos", afirmou Ertrk.

A Arábia Saudita é considerado um dos países com maior discriminação entre os sexos. As mulheres no país são proibidas, por exemplo, de dirigir automóveis.

As sauditas também não podem ficar sozinhas no mesmo recinto com homens que não sejam de suas famílias.

Abuso no Egito
A organização Anistia Internacional afirma que 35% das mulheres egípcias assassinadas anualmente morrem por causa de violência doméstica.

Grupos de defesa dos direitos femininos elogiaram uma decisão recente da Justiça egípcia, a primeira do tipo na história do país, de condenar um homem a três anos de prisão e ao pagamento de uma multa por assediar sexualmente uma mulher.

Tecnicamente, não existe a pena por assédio sexual no país e o tribunal julgou que Sherif Gibrial cometeu o crime de "ataque sexual" por ter agarrado o braço da vítima, Noha Roushdy.

Um estudo divulgado em julho pelo Centro Egípcio Para os Direitos das Mulheres (ECWR, na sigla em inglês) concluiu que 98% das estrangeiras no Egito, e 83% das mulheres do país, já sofreram algum tipo de abuso.

Cerca de 2 mil pessoas, entre homens e mulheres, foram ouvidas na pesquisa. Aproximadamente dois terços dos egípcios entrevistados admitiram já ter assediado mulheres.

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