Esposas de nigeriano casado com 86 mulheres pedem sua libertação

Lagos, 19 set (EFE) - A maioria das esposas e boa parte dos filhos de Alhaji Bello Masaba, um muçulmano nigeriano de 84 anos casado com 86 mulheres e que foi detido por esse motivo, pediram hoje sua libertação, informação a imprensa local.

EFE |

A manifestação, que durou quatro horas, ocorreu em frente ao Departamento de Justiça do estado nigeriano de Níger, na cidade de Minna (norte), onde o juiz Alhaji Abdulkadir Imam decidiu, na segunda-feira, deter Masaba sob a acusação de violar a "sharia" ou lei muçulmana, ao se casar "de maneira ilegal".

O ato foi dissolvido pela Polícia, e os manifestantes pediram aos funcionários do Departamento de Justiça que soltassem Masaba, pois, disseram, "ele é quem nos dá o pão".

"Não nos condenem à prostituição", "estamos sofrendo", gritavam as mulheres de Masaba, que, apoiadas por seus filhos, defendiam que estavam "legalmente casadas", apesar de a sharia autorizar um muçulmano a se casar com apenas quatro mulheres.

Hafusat, uma das esposas, que se identificou como "filha de um ex-ministro" da Nigéria e que atuou como porta-voz do grupo, disse que os 86 casamentos "são autorizados por Deus e (Masaba) não cometeu nenhum crime que justifique sua detenção".

A acusação, segundo a lei islâmica, poderia fazer com que Masaba fosse condenado à morte por apedrejamento, uma pena já imposta em uma "fatwa" ou decreto islâmico pelo grupo fundamentalista Jamatu Nasril Islam, que não tem autoridade legal para fazê-lo.

Organizações de defesa dos direitos humanos nigerianos reuniram, após sua detenção, "86 advogados de defesa" para Masaba, que o juiz Abdulkadir Imam deve ver em 6 de outubro.

O advogado que defende Masaba pediu na segunda-feira que seu cliente fosse libertado mediante pagamento de fiança, alegando que tem que sustentar uma enorme família.

Em seguida, apresentou um recurso à Corte Superior Federal de Abuja para que proíba a possível imposição da pena de morte, em defesa de seus direitos humanos fundamentais. EFE da/db

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