A esposa do dissidente chinês Hu Jia, ganhador do Prêmio Sakharov Sajarov 2008 concedido pelo Parlamento Europeu, afirmou nesta quinta-feira que a distinção constitui um reconhecimento pela luta de seu marido.

"Acho que Hu Jia ficará muito contente, pois seu trabalho terá recebido o reconhecimento de todos", afirmou Zeng Jinyan, contactada por telefone pela AFP.

Zeng, de 25 anos, vive com sua filha de 11 meses num apartamento de Pequim sob rígida vigilância. Ela disse esperar que a recompensa melhere a situação de Hu Jia.

Zeng Jinyan visitou o marido na quarta-feira passada. "Ele parecia melhor do que da última vez que o vi".

Outros dissidentes chineses consideraram que o prêmio concedido a Hu Jia poderá ajudá-los em seu combate.

"Ajudará a promover a proteção dos direitos humanos na China. É alg bm para o povo chinês", afirmou Qi Zhiyong, que teve uma perna amputada depois de ser ferido a bala durante a repressão do movimento pró-democrático na praça de Tiananmen em junho de 1989.

O prêmio a Hu Jia foi entregue "em nome dos sem voz da China e do Tibet", conforme anunciou o presidente do Europarlamento, Hans-Gert Pöttering, em sessão plenária em Estrasburgo (leste da França).

"Conceder o Sakharov a Hu Jia reflete o próprio espírito desse prêmio, que apóia a liberdade de pensamento e honra os defensores dos direitos humanos que lutam contra a repressão", afirmaram os co-presidentes do grupo político, Daniel Cohn-Bendit e Mónica Frassoni, em um comunicado.

O governo chinês reagiu imediatamente ao anúncio protestando contra a decisão do parlamento europeu.

"Expressamos nosso forte descontentamento pela decisão do parlamento europeu de conceder tal prêmio a um criminoso preso na China, apesar de nossas reiteradas gestões para impedir isso", afirmou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Liu Jianchao.

"Trata-se de uma grave ingerência nos assuntos internos da China", acrescentou.

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