Esposa diz que Zelaya está na embaixada do Brasil em Honduras

A embaixada do Brasil em Caracas confirmou nesta segunda-feira que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, retornou a seu país e está na embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa. A mulher de Zelaya, Xiomara Castro, agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por dar abrigo ao presidente deposto.

BBC Brasil |

Assessores de Zelaya afirmaram à BBC Brasil que a operação que permitiu sua volta, três meses depois da deposição, teria sido realizada com a ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU).

Milhares de simpatizantes de Zelaya se reuniram nos arredores da sede da ONU em Tegucigalpa para recebê-lo. O governo interino de Honduras, no entanto, nega que Zelaya esteja no país.

O presidente interino, Roberto Micheletti, afirmou a jornalistas que possui "provas de que Zelaya não está em Honduras". A seu ver, a notícia do regresso do presidente eleito se trata de "terrorismo midiático".

"Chamado"

Em entrevista por telefone ao canal Telesur, Zelaya disse que voltou a seu país "atendendo a um chamado do povo hondurenho".

O presidente eleito disse que ainda está "fazendo gestões" e que dará início a um diálogo nacional e internacional que permita a volta da ordem institucional ao país. "O propósito (do retorno) é que volte a paz e a tranquilidade depois de 86 dias de resistência desse povo hondurenho", disse.

Em transmissão ao vivo pelo canal estatal venezuelano, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conversou com Zelaya por telefone.

Ao comemorar a notícia, comentou que o hondurenho viajou "durante dois dias por terra, cruzando montanhas, rios, arriscando sua vida, conseguiu chegar à capital e está em Tegucigalpa".

"Agora veremos o que farão os golpistas, com o povo na rua e com Zelaya em Honduras", disse Chávez, ao pedir "respeito à vida de Zelaya".

"Vitória"

Para Berta Oliva, dirigente da organização Cofadeh - que pertence a uma rede de entidades que apoiam Zelaya -, o regresso do presidente deposto é "uma vitória do povo". "Uma de nossas reivindicações era reverter o golpe e o retorno de Zelaya deve garantir isso", disse Oliva à BBC Brasil.

Oliva, no entanto, adverte que a disputa mais difícil a partir de agora será a realização da Assembleia Nacional Constituinte, razão pela qual a oposição argumenta ter deposto Manuel Zelaya em 28 de janeiro.

"A população está convencida da necessidade de uma Constituinte, mas temo que os golpistas optem pelo enfrentamento e pela violência para impedir esse processo", afirmou.

O possível regresso de Zelaya ocorre em meio à campanha para as eleições convocadas para o dia 29 de novembro, pleito que a Organização de Estados Americanos (OEA), o Brasil e a maioria dos países da região afirmaram não reconhecer caso Zelaya não seja restituído.

A volta de Zelaya pode reativar o acordo de San José, rejeitado por Micheletti e seus aliados, que prevê, entre outros pontos, o retorno de Zelaya à Presidência, a antecipação das eleições gerais agendadas para novembro e o abandono da proposta de consulta popular para convocar uma Assembleia Constituinte.

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