Esposa de candidato iraniano ameaça processar Ahmadinejad

Teerã, 7 jun (EFE).- Zahra Rahnavard, a mulher do candidato pró-reformista Mir Hussein Mousavi, anunciou hoje que empreenderá ações legais contra o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, se ele não retira as acusações contra ela em um prazo de 24 horas.

EFE |

Em um grande entrevista coletiva, incomum no Irã, a esposa do principal adversário do líder iraniano disse que Ahmadinejad insultou "todo o povo do Irã e as mulheres", ao acusá-la na televisão de falsificar seus títulos universitários.

"Fui obrigada a estar hoje aqui pelos insultos que recebi. Não vim só me defender, mas ao povo iraniano e a todas as mulheres que também foram insultados. Foram enganados", afirmou.

"O cargo de presidente é muito importante, é o número dois depois do líder supremo. Não é possível que alguém nesta posição possa mentir tanto", acrescentou Rahnavard que se transformou, a seu pesar, na estrela da campanha eleitoral iraniana.

Protagonista incomum em um jogo eleitoral que sempre foi coisa de homens no Irã, a esposa de Mousavi quebrou parâmetros e conseguiu mobilizar as mulheres com sua decisão de se envolver na campanha eleitoral e subir no palanque com o marido.

Formada em Artes e em Política, artista e professora, ela se transformou em um modelo a ser seguido pelas milhares de mulheres que lutam pelas liberdades e pelos direitos femininos em um país que discrimina a mulher.

Na quarta-feira passada, Ahmadinejad - que busca a reeleição - fez uma acusação direta contra Rahnavard, o que gerou grande polêmica.

O líder, que parece na defensiva, também acusou os ex- presidentes Ali Akbar Hashemi Rafsanjani e Mohamad Khatami de corrupção e de complô com Mousavi para acabar com as conquistas de seu gabinete.

Alguns juristas pediram a desqualificação de Ahmadinejad, ao considerar que suas palavras - igualmente censuradas, mas de forma velada, pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei - poderiam atentar contra os princípios da Constituição.

"Naquele dia, senti pena, porque vi que o presidente não conhecia a lei e tinha ultrapassado seus limites. As leis dizem que uma pessoa não pode acusar outra em público sem provas", disse hoje à imprensa Rahnavard.

"Falei com um advogado e, caso Ahmadinejad não peça desculpas ao povo iraniano, a mim e a Mousavi, e a mim mesma separadamente, o denunciarei", disse.

Mais de 46 milhões de iranianos foram convocados às urnas em 12 de junho para escolher o décimo Governo desde a vitória, há 30 anos, da Revolução islâmica. EFE msh-jm/an

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