Espião português do Terceiro Reich muda o curso da guerra

Um espião português pode ter mudado o desfecho da Segunda Guerra Mundial, segundo documentos revelados nesta terça-feira em Londres, indicando que, se não tivesse sido descoberto, o agente nazista teria sabotado a operação de desembarque das tropas aliadas no norte da África, em 1942.

AFP |

O português Gastão de Freitas Ferraz era um simples operador de rádio no barco de pesca 'Gil Eannes', que tinha autorização para navegar no Atlântico devido à neutralidade de Portugal na guerra.

Desde o início do conflito, no entanto, os nazistas passaram a pagar Freitas para que ele informasse os submarinos alemães sobre a movimentação de navios americanos no oceano Atlântico. Até hoje, o documento era mantido confidencial pelo Arquivo Nacional britânico.

De acordo com os arquivos, o português teria conseguido detectar as embarcações das tropas americanas que fariam o desembarque no norte da África, e teria passado a informação aos alemães.

Com esses dados, os serviços de inteligência alemã certamente teriam descoberto os planos dos Aliados, que estavam tentando fazer com que seus inimigos acreditassem que eles organizavam um desembarque na costa da França.

O plano, que ficou conhecido sob o nome código "Operation Torch", tinha como objetivo abrir um segundo front contra os alemães, que naquele momento estavam concentrados na União Soviética.

Moscou pressionava os Estados Unidos e o Reino Unido para abrir um segundo front, o que reduziria a pressão das forças nazistas sobre as tropas russas, confirma o documento.

Os ingleses, então, propuseram abrir o segundo front no norte da África, o que serviria para melhorar o controle do Mediterrâneo e preparar uma invasão da Europa ocupada pelo Terceiro Reich.

Com seu barco, o português poderia ter posto a perder toda a operação, já que, ao interceptar e passar os movimentos do contingente aliado, os alemães se deslocariam para combater a ofensiva aliada no Marrocos e na Argélia, territórios que então estavam sob o controle do governo francês de Vichy, colaboracionista, que tinha cerca de 100.000 homens no norte da África.

Freitas, no entanto, foi preso a tempo, por ordem do MI5, o serviço de contra-espionagem britânico.

Segundo os arquivos, as mensagens em código enviadas pelo português haviam chamado a atenção dos serviços de inteligência do Reino Unido nos meses anteriores ao lançamento da "Operation Torch".

"Não há dúvidas de que Freitas é um agente alemão", escreveu o diretor-geral do MI5, Sir David Petrie, em uma nota enviada à chancelaria britânica, datada de 24 de outubro de 1942.

Freitas, então, foi interceptado no 'Gil Eannes' em alto-mar pelos Aliados, levado a Gibraltar e depois transferido para Londres, onde foi interrogado pelo MI5 e admitiu ser um espião nazista. Finda a guerra, o português foi expulso.

O sucesso da "Operation Torch", lançada nas praias africanas em 8 de novembro de 1942, cuando 600 navios desembarcaram 70.000 soldados aliados, foi decisiva para a vitória sobre os nazistas.

ame/ap/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG