Havana, 2 nov (EFE).- A maioria dos cubanos prefere a vitória do democrata Barack Obama nas eleições de terça-feira nos Estados Unidos, a julgar pelo que se escuta nas ruas, onde se mostra o mesmo desejo do ex-presidente Fidel Castro, enquanto o Governo de seu irmão Raúl Castro prefere não se manifestar.

Um garçom de Havana, que pediu para que seu nome não fosse citado, deixa clara sua posição. "Obama, porque é negro e vai acabar com o bloqueio", explicou em alusão ao embargo que Washington aplica à ilha desde 1962.

"Até Fidel o prefere", acrescentou um jovem havanês que, no entanto, admitiu que não se interessa muito por política.

Obama disse que está disposto a falar com os irmãos Castro e aliviar o bloqueio a Cuba, onde os meios de comunicação dedicaram nas últimas semanas amplos espaços à reta final da corrida presidencial americana.

O convalescente Fidel Castro não disse abertamente que quer a vitória do candidato democrata, mas o elogiou em vários textos de sua coluna "Reflexões".

Por outro lado, atacou o candidato republicano, Jonh McCain, a quem acusa de ser um "instrumento da máfia", como chama seus adversários de Miami.

Alguns funcionários cubanos, no entanto, insistem nestes dias em que nada mudará nos EUA independentemente de quem vá sair vitorioso nas eleições da próxima terça-feira.

O ministro da Economia cubano, José Luis Rodríguez, disse em declarações publicadas ontem pelo jornal "Granma", porta-voz do governante Partido Comunista, que tem "certeza de que não haverá uma mudança de política do Governo de Washington", qualquer que seja o presidente eleito.

O ex-ministro Armando Hart expressou em artigo no "Granma" o problema que os governantes cubanos terão se Obama vencer. "Se cumprir sua promessa (de aliviar o bloqueio), nascerá uma nova etapa no combate ideológico entre a revolução cubana e o imperialismo", afirma.

Ele acrescentou, no entanto, que "a supressão das limitações econômicas impostas às viagens a Cuba significará que cerca de um milhão de nascidos nesta terra e seus descendentes" poderão "vir como turistas" e "entrar novamente em contato" com o país e seus familiares.

Segundo Hart, Cuba tem "o imenso desafio de enfrentar um tempo novo na luta cultural contra o inimigo". EFE am/ab/rr

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