Pesquisadores espanhóis e franceses testaram com sucesso em ratos de laboratório um tratamento contra o progeria, doença atualmente incurável e que provoca envelhecimento acelerado e atinge dezenas de crianças no mundo, de acordo com trabalhos publicados pela revista Nature Medicine.

Esse tratamento poderá em breve ser testado em 15 das 25 crianças atingidas pela doença na Europa, indicou a Associação Francesa contra Miopatias (AFM), que contribui para o financiamento destes trabalhos graças às doações do programa Téléthon.

O pedido para isso já foi apresentado à Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde. Ainda à espera de autorização, o teste clínico será liderado por Nicolas Lévy (Instituto nacional da saúde e a pesquisa médica) no hospital de La Timone em Marselha.

O progeria é uma doença muito rara (três casos conhecidos na França) que atinge as crianças a partir do nascimento. As vítimas têm a aparência e certas anomalias fisiológicas de pessoas idosas: pouco cabelo, pele fina, rigidez articular e problemas cardiovasculares, por exemplo. Não há tratamento até agora e a esperança de vida continua a ser muito limitada (12-13 anos em média).

A equipe de Nicolas Lévy e de Carlos Lopez-Otin (Faculdade de medicina da Universidade Oviedo) testaram em ratos um tratamento que se trata de uma combinação de duas moléculas existentes: as estatinas - utilizadas para reduzir a taxa de colesterol no sangue e prevenir os riscos cardiovasculares - e os aminobisfosfonatos - indicados no tratamento da osteoporose.

A progeria é provocada pelo acúmulo nas células de uma proteína truncada, a progerina. Nas células de pacientes (in vitro), e depois nos ratos, os pesquisadores demonstraram que a combinação dessas duas moléculas combate a toxicidade desta proteína anormal. Desta forma, a doença se desenvolve de maneira atenuada.

O tratamento diminui assim os efeitos da doença e aumentaram a esperança de vida nos ratos: 179 dias contra 101 dias em média.

vm/fb

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.