Virgínia Hebrero Genebra, 15 abr (EFE).- As plantas não devem ser tratadas de maneira arbitrária, e causar danos a elas sem nenhum motivo não é moralmente admissível, determinou hoje uma comissão ética suíça.

Essas são algumas das conclusões de um relatório da comissão federal de ética para a biotecnologia no terreno não humano, intitulado "A dignidade da criatura no reino vegetal" e divulgado hoje em Berna.

Elaborado por um grupo de especialistas, o relatório tenta dar resposta a questões éticas sobre o respeito às plantas e sobre se estas possuem ou não um valor moral.

Algumas diferenças de opinião foram verificadas no debate, mas os membros da comissão concluíram por unanimidade que um ataque arbitrário contra plantas não é moralmente admissível.

"O fato de arrancar flores à beira da estrada sem nenhuma razão válida é um exemplo de ato arbitrário", diz o relatório, que tem 24 páginas.

No entanto, os especialistas não entraram em acordo sobre outras questões relativas à utilização das plantas.

A maioria deles opinou que as remodelações genéticas efetuadas nas plantas não transgridem a idéia da dignidade da criatura sempre que sua autonomia for mantida, ou seja, sua capacidade de reprodução ou de adaptação, "e sob reserva das limitações ligadas à ética social em matéria de modificação genética das plantas".

A maior parte dos especialistas também determinou que, se o ser humano modificar geneticamente um organismo vegetal, "deve levar em conta a conservação e a proteção das estruturas naturais, as que não estão sob a influência do homem".

Além disso, a maioria dos participantes da comissão também concordou que está moralmente justificada toda ação que implique direta ou indiretamente as plantas se esta tem o objetivo de conservar a espécie humana, sempre que os princípios de proporcionalidade e de precaução sejam respeitados.

A elaboração deste relatório tentou dar resposta às distintas considerações que existem na sociedade suíça sobre a dignidade das plantas e partiu da Constituição federal suíça, que reconhece o direito à proteção do reino vegetal.

Esta proteção legal se articula em três eixos: a proteção da biodiversidade, a proteção das espécies e a obrigação de respeitar a integridade dos organismos vivos - a chamada "dignidade da criatura".

Criada pelo Governo colegiado suíço em 1998, a comissão de ética para a biotecnologia no terreno não humano ficou responsável por concretizar essa noção constitucional da proteção do reino vegetal, determinar quais razões devem estar por trás dessa proteção e chegar à conclusão sobre se as plantas possuem valor moral.

O relatório constata que a idéia de que as plantas têm "dignidade" provoca desaprovação e até rejeição em algumas pessoas.

"Muitos consideram o respeito moral às plantas como uma idéia ridícula", reconhecem os especialistas.

Além disso, para muitas pessoas, o fato de se colocarem questões morais sobre a utilização das plantas não tem nenhum sentido, já que os vegetais se situariam em um terreno moralmente neutro.

Algumas vozes opinam que "a vida do ser humano seria complicada demais se cada uma de suas ações fosse objeto de uma justificativa moral" e outros temem que as obrigações em relação às plantas possam relativizar outros deveres prioritários no plano moral, os referentes aos animais e inclusive aos humanos.

Entre as diversas questões debatidas pelos especialistas, teve destaque a de se as plantas têm ou não sensibilidade.

Sem chegar a um acordo, a maioria dos especialistas não excluiu esta possibilidade, enquanto que uma minoria rejeitou atribuir sensibilidade às plantas ao não encontrar razões para tanto. EFE vh/bba/fb

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