Especialistas sugerem que Obama repense política para o Irã

WASHINGTON (Reuters) - O presidente eleito Barack Obama deveria repensar a política norte-americana para o Irã, evitando o confronto e as frustradas tentativas de isolar o país por meio de sanções, segundo um grupo de acadêmicos e ex-diplomatas. A questão nuclear do Irã é um dos principais desafios da política externa do governo que toma posse em 20 de janeiro. Obama defende o endurecimento das sanções, mas não descarta contatos diretos com Teerã.

Reuters |

O grupo de especialistas divulgou nota alertando contra uma ação militar e defendendo negociações incondicionais, que seriam a única forma viável de evitar um "ciclo de ameaças e desafios".

"Um ataque quase certamente teria efeito contrário...e a experiência demonstra que as perspectiva de coagir com sucesso o Irã por meio de sanções econômicas é, na melhor das hipóteses, remota", disse o grupo, que inclui os ex-diplomatas norte-americanos James Dobbins e Thomas Pickering, que foi embaixador dos EUA na ONU.

Os EUA acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares, o que Teerã nega, insistindo no seu direito à energia nuclear civil. O Ocidente já conseguiu impor três pacotes de sanções da ONU ao país.

O presidente George W. Bush certa vez incluiu o Irã na lista de inimigos que chamou de "eixo do mal", mas recentemente autoridades dos EUA falam em abrir um escritório diplomático em Teerã.

Na semana passada, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, enviou congratulações a Obama por sua vitória eleitoral e pediu mudanças "fundamentais e justas" nas políticas dos EUA para o Oriente Médio. Autoridades iranianas também reivindicaram a suspensão das sanções.

Na declaração a ser apresentada ao Conselho Nacional Iraniano-Americano, os especialistas dizem que o governo Obama deveria desenvolver uma nova estratégia para o Irã.

"Abra a porta a negociações diretas, incondicionais e abrangentes em nível diplomático elevado, onde contatos pessoais possam ser desenvolvidos, intenções sejam testadas e possibilidades sejam exploradas para ambas as partes", diz o texto.

Uma estratégia de longo prazo, acrescentaram eles, deveria incluir um lugar para o Irã nas discussões sobre o futuro do Iraque e do Afeganistão, garantias de segurança para o país e estímulos ao processo de paz entre árabes e israelenses.

(Reportagem de Ross Colvin)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG