Especialistas questionam papel de raio em incidente de avião

Por Tim Hepher e Astrid Wendlandt PARIS (Reuters) - Dois aviões da Lufthansa passaram sem incidentes pela turbulência antes e depois do Airbus da Air France que está desaparecido, disse uma fonte nesta segunda-feira, deixando especialistas com dificuldade para avaliar a participação das condições climáticas no episódio.

Reuters |

Uma frenética busca por ar e mar estava em andamento para localizar o Airbus desaparecido e seus 228 passageiros e tripulantes que faziam o trajeto entre Rio de Janeiro e Paris.

A Air France disse que o Airbus A330 passou por uma tempestade e uma "forte turbulência", enquanto um porta-voz afirmou que a aeronave pode ter sido atingida por um raio.

Se isso ocorreu, terá sido o pior desastre aéreo causado por um raio, de acordo com o Aviation Safety Network, mas a maioria dos especialistas afirma que é improvável um acidente como esse em um jato moderno.

No pior incidente atribuído a um raio, 113 pessoas morreram em 1962 em um Boeing 707, também operado pela Air France, informou a organização com sede na Holanda.

O Brasil informou que a aeronave fez contato por radar pela última vez às 22h33 de domingo (horário de Brasília) depois de passar pela ilha de Fernando de Noronha.

O avião voava em direção a uma conhecida área de tempestades que se movimenta em torno da Linha do Equador, conhecida como Zona de Convergência Intertropical.

Ele foi precedido na mesma rota, 30 minutos antes, por um Boeing 747-400 da Lufthansa indo para Frankfurt, de acordo com uma fonte com acesso a informações transmitidas por jatos para a Organização Meteorológica Mundial.

Duas horas depois, um avião de carga MD-11 também da Lufthansa passou ao sul do mesmo ponto a caminho para a África Ocidental, disse a fonte à Reuters, pedindo para não ser identificada.

Nenhuma das aeronaves relatou qualquer anormalidade.

"Você não pode associá-lo a um raio com a informação de que dispomos", disse a fonte, especialista em meteorologia da aviação. A Lufthansa não fez comentários sobre o assunto.

FALHA NO CIRCUITO

Um piloto da Air France que opera em rotas de longa distância e concordou em falar à Reuters sob a condição de anonimato disse ser improvável que apenas um raio tenha causado a suposta queda.

"Não pensaria ser possível que um raio seja capaz de levar a um curto-circuito e interromper todos os sistemas elétricos do avião. Aviões de teste resistem a cerca de 30 golpes de raio e nunca nada aconteceu", afirmou o piloto.

O mais provável, disse ele, é que o jato tenha apresentado uma falha no sistema elétrico que teria desligado seus radares e seus sistemas de comunicação, deixando-o mais vulnerável a tempestades a fortes correntes laterais de ar.

A Air France disse que o avião A330 enviou uma mensagem automática às 2h14 (horário de GMT) indicando uma falha no circuito elétrico. Não havia outros detalhes oficiais sobre a possível causa do desaparecimento.

Golpes de raio são razoavelmente comuns, mas os aviões construídos com o metal como o do A330 são programados para serem capazes de se livrar deles.

A intensa corrente passa pela fuselagem de metal e é direcionada para o solo sem causar problemas.

A idéia é baseada em um princípio conhecido como Gaiola de Faraday, que protege os passageiros dentro de uma malha de material condutor.

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