Por Kate Kelland LONDRES (Reuters) - As autoridades de saúde em toda a Europa se preparam para ver um terço da população do continente ser contaminada pelo vírus da nova gripe H1N1 no outono boreal, mas não pretendem fechar as escolas ou tomar outras medidas drásticas para fazer frente à doença.

Em lugar disso, a intenção é divulgar informações sobre higiene, produzir vacinas o mais rapidamente possível e esperar que a pandemia de H1N1 não se torne mais letal do que já mostrou ser.

Cerca de 200 mil doses de vacina acabam de ser entregues à Grã-Bretanha pela empresa farmacêutica Baxter International, e muitos outros países europeus esperam a chegada da vacina para a partir de outubro. Esse prazo deve ser justamente o necessário para evitar a disseminação em massa da doença.

Os laboratórios que estão fabricando vacinas contra o H1N1 incluem o MedImmune, da AstraZeneca's, o GlaxoSmithKline, o Novartis, o CSL e o Sanofi Aventis.

O epidemiologista Giovanni Rezza, diretor de Doenças Infecto-Contagiosas no Superior Instituto de Saúde da Itália, disse que Espanha, França e outros países visam vacinar entre 30 e 40 por cento de suas populações, nível que ele considerou ser "prático e sensato".

"É preciso lembrar que o impacto indireto já seria suficiente para impedir o vírus de espalhar-se rapidamente entre a população", disse.

A França, onde as aulas devem recomeçar em 2 de setembro, divulgou seu plano para enfrentar o vírus da gripe no outono, lançando um programa de informação pública.

Previsto para durar um mês, o serviço é composto de anúncios na rádio, televisão e Internet, aconselhando a população a manter-se higienizada e atenta e sugerindo que, se não houver lenço à mão, as pessoas espirrem sobre suas mangas.

Eslovênia e Áustria têm planos semelhantes.

"Todos os professores foram informados. Cada família receberá um folheto com instruções sobre higiene pessoal", disse uma porta-voz do Ministério da Saúde da Eslovênia, Irma Glaner.

Na Espanha, o governo socialista pretende priorizar profissionais de saúde e professores quando receber a vacina, mas rejeitou os chamados da oposição para que seja adiado o início das aulas do novo ano letivo e um pedido formulado por um sindicato de professores para que professoras grávidas possam não retornar ao trabalho enquanto não chegar a vacina contra a gripe.

Fechamentos de escolas em grande escala, como foi feito na Grã-Bretanha quando a gripe suína começou a ganhar força, em abril e maio, não estão nos planos de nenhum governo europeu. É uma decisão que tem o apoio da maioria dos especialistas em saúde.

Embora o vírus provoque sintomas leves em muitas pessoas, algumas apresentam complicações, e já houve mortes entre grávidas, crianças pequenas, pessoas que já tinham problemas de saúde anteriores, como obesidade e diabetes, e até mesmo adultos saudáveis.

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