Especialistas pedem que Obama crie grupo para investigar Guantánamo

Washington, 12 nov (EFE) - Um grupo de especialistas pediu hoje ao futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para criar uma comissão independente que investigue os abusos cometidos na prisão de Guantánamo, em Cuba, e recomendar o processamento dos responsáveis. O presidente eleito afirmou que fechará o centro de detenção criado pelo presidente George W. Bush na base naval americana da Baía de Guantánamo, em Cuba, onde centenas de homens permaneceram sem julgamento ou assessoria legal por vários anos.

EFE |

"Deve haver uma prestação de contas para que isto não se repita com Governos futuros", disse em entrevista coletiva Vince Warren, diretor do Centro para Direitos Constitucionais, um grupo privado que recrutou centenas de advogados para a defesa dos supostos terroristas presos na base.

Já Laurel Fletcher, da Clínica Legal de Direitos Humanos na Universidade da Califórnia pediu ao futuro Governo de Obama para que estabeleça uma comissão "integrada por especialistas, advogados e ex-funcionários de inteligência militar que revise os erros cometidos".

"E se as evidências indicarem, que recomende investigações criminais", acrescentou Fletcher. "Além disso, achamos que o Governo Bush não deveria estender anistias ou imunidades antes da conclusão" do grupo que protejam funcionários e oficiais militares, disse.

Fletcher e Warren se uniram hoje a Eric Stover, do Centro de Direitos Humanos da UC, na apresentação de um relatório elaborado com entrevistas com 62 homens que estiveram detidos em Guantánamo, e mais de 50 ex-guardas, oficiais militares, tradutores e interrogadores, além de advogados que representaram os detentos.

"Guantánamo não é um centro de detenção, mas um centro de interrogatórios elaborado para pressionar os prisioneiros", afirmou Stover.

"Está o efeito dos métodos de interrogatório usados, e o efeito acumulativo desses métodos aplicados durante períodos prolongados a indivíduos que não têm proteção legal, que não sabem quanto tempo seguirão cativos nem qual será seu futuro", assinalou Stover.

Entre os métodos abusivos descritos por alguns dos ex-presos, entrevistados em nove países e que tinham passado uma média de três anos em Guantánamo, Stover disse que os mais freqüentes foram o enforcamento e as surras, a nudez forçada, e a profanação do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Fletcher disse que 520 homens foram libertados de Guantánamo, isto é aproximadamente 65% de todos os levados ao lugar desde que o Governo Bush começou a transferir ao local, em janeiro de 2002, suspeitos capturados em diversos países.

"Dois em cada três ex-prisioneiros apresentam problemas psicológicos", disse Fletcher.

"E todos são afetados pela 'síndrome de Guantánamo': suas comunidades, amigos e famílias os percebem como indivíduos perigosos, não conseguem emprego, perderam seus negócios, sentem que não estão no controle de suas vidas e revivem o pânico que padeceram em Guantánamo", acrescentou.

Stover disse que Guantánamo, assim como a prisão iraquiana de Abu Ghraib, "se transformou em uma mancha na reputação dos Estados Unidos". EFE jab/db

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