Especialistas pedem ações para frear epidemia de HIV após conflitos

Alberto Cabezas México, 7 ago (EFE) - Especialistas internacionais em direitos humanos e de trabalho comunitário da África solicitaram hoje mais medidas para depois de conflitos internos e crises humanitárias, visando a evitar o contágio de HIV/aids, sobretudo entre mulheres. Estudos muito interessantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) mostram que em situações de conflito o HIV não aumenta, disse à Agência Efe a irlandesa Mary Robinson, que esteve à frente desse organismo. É depois da crise que isto ocorre, quando os exércitos voltam para casa, quando há mais movimento, então é quando há mais risco, assinalou Robinson, que moderou hoje um painel sobre o tema na 17ª Conferência Internacional sobre Aids (Aids 2008). Em outubro, a ex-alta comissária de Direitos Humanos da ONU visitará Darfur para conhecer de perto a situação das mulheres ali, onde participará de um encontro organizado pela ativista Bineta Diop, da ONG Mulheres Solidárias com a África (FAS, em francês). Já esteve com o mesmo propósito no leste do Chade em setembro passado para entender melhor o que deve ser feito nas situações de emergência ou conflito, que até o final de 2001 tinham afetado 50 milhões de pessoas no mundo, segundo o Grupo de Trabalho sobre HIV/aids em Situações de Conflito da ONU. Quando falamos com elas, foi perguntado qual era sua prioridade e nos responderam: segurança, segurança e segurança, lembrou Robinson. Eram viole...

EFE |

As crianças tinham muito pouco acesso à educação", apontou.

Robinson demandou às agências e ONGs que trabalhassem nesses lugares sem tratar as mulheres "como vítimas e nada mais" e que as considerem "agentes de mudança" que devem estar mais implicadas nas fases posteriores ao conflito, como aconteceu, por exemplo, em Ruanda.

Floride Nyiraneza falou no painel de hoje sobre a experiência nesse país. Ela é uma mulher ruandesa que foi estuprada durante a crise dos Grandes Lagos de 1994, quando contraiu HIV.

Dedicada agora a dar apoio psicossocial a mulheres em Kigali, através da organização Acesso Igualitário a Mulheres para Tratamento e Cuidado para a Esperança (WEATFH), Nyiraneza disse que os grupos se baseiam no "apoio entre pares" e serviram para que mais mulheres e crianças façam o teste do vírus de forma voluntária e informada.

Isso serviu, por exemplo, para que comecem tratamentos com anti-retrovirais (ARV) antes e consigam, desse modo, que estes sejam mais eficientes.

A queniana Margaret Wambeke, com experiência de trabalho nos acampamentos do Vale do Rift, contou sobre o trabalho com milhares de refugiados após as eleições de dezembro no Quênia.

Ela afirmou que as pessoas com HIV/aids que se refugiaram em acampamentos enfrentaram a falta de material, mas, além disso, interrupções no tratamento da doença.

Em prisões e delegacias eram desatendidos, e a má alimentação fez com que sua saúde piorasse, acrescentou.

Para prevenir estas situações pediu "mais atenção política" às situações de crise e aos períodos após os conflitos, assim como maior apoio com clínicas móveis e acesso a tratamento.

Para Wambete, estes esquemas de medicação "só são sustentáveis em condições de paz", mas podem melhorar o apoio aos migrantes internos ou procedentes de outros países.

O pediatra Andrew Kibonenka, que trabalha com crianças na região de Gulu, no norte de Uganda, uma zona controlada pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA), revelou a experiência de tratar crianças em "clínicas positivas".

Também falou sobre a Organização de Serviço à Aids (ASO, em inglês), onde desenvolve seu trabalho, quando atuou com 282 menores de idade, dos quais 57 receberam anti-retrovirais durante uma média de 227 dias, com bons resultados.

Para o futuro, considerou um desafio acompanhar a evolução da saúde destas crianças quando deixarem as clínicas, um trabalho difícil que é realizado por pessoas em motocicletas que colaboram com ASO. EFE act/bm/db

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