Especialistas em gripe se preparam para receio sobre nova vacina

Por Maggie Fox WASHINGTON (Reuters) - Um milhão de ataques cardíacos, 700 mil derrames cerebrais e 900 mil abortos espontâneos. As autoridades de saúde pública dos EUA querem que o povo saiba que tudo isso acontece todos os anos, com ou sem campanha de vacinação contra a gripe suína.

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Este ano, porém, elas sabem que grande número desses incidentes será atribuído à vacina contra o H1N1, que começará a ser aplicada em semanas. E estão se preparando para isso.

A expectativa é de uma avalanche de chamadas denúncias de eventos adversos, ou seja, de mortes, doenças ou outros traumas de saúde ocorridos em até 15 dias após receber um tratamento -- no caso, a vacina contra a gripe suína.

"Vamos ser inundados de eventos potenciais", disse Mike Osterholm, especialista em saúde pública da Universidade do Minnesota.

"Qualquer coisa que aconteça a qualquer pessoa no período de sete a 14 dias após a vacinação será informada."

A Organização Mundial de Saúde (OMS) quer transmitir ao público global que as vacinas que estão sendo produzidas por 25 empresas diferentes, com formulações diversas, são todas seguras.

Os especialistas têm poucas dúvidas quanto à segurança da vacina contra o H1N1 que está sendo produzida. Ela está sendo feita usando exatamente a mesma tecnologia da vacina contra a gripe sazonal anual, dada a centenas de milhões de pessoas todos os anos.

Mas, como o H1N1 é novo, os fabricantes de vacinas o vêm testando para descobrir a dose correta.

LEMBRANÇAS DE 1976

Ainda restam lembranças do susto pela gripe suína de 1976, quando 43 milhões de norte-americanos foram vacinados contra um vírus que não chegou a se espalhar, e os jornais ficaram cheios de relatos sobre casos de uma doença neurológica rara e grave chamada síndrome de Guillain-Barre.

A síndrome nunca chegou a ser vinculada definitivamente à vacina, mas desde então muitos americanos desconfiam de vacinas.

"Já previmos a necessidade de vigilância intensificada contra Guillain-Barre e outros eventos adversos", disse Nancy Cox, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.

E será preciso enfrentar mais do que apenas relatos críticos nos jornais e na televisão. A Internet não existia em 1976. Tampouco existiam blogs, Facebook, Twitter ou as dezenas de outras maneiras atuais pelas quais as pessoas se comunicam global e instantaneamente.

O CDC e a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA estão se preparando para um dos maiores esforços de vigilância da história. "Sabemos que uma comunicação clara e transparente com o público é absolutamente essencial para uma campanha de vacinação bem sucedida," disse Cox.

As "armas" escolhidas pelo CDC para isso são o Facebook, Twitter, RSS, vídeos "virais" bem humorados postados no YouTube e aplicativos do iPhone como CDC News Reader.

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