Especialistas em crises afirmam que situação no Zimbábue é crítica

JOHANESBURGO - Os integrantes do grupo de especialistas na resolução de problemas internacionais, o chamado Conselho de Anciãos - Kofi Annan, Jimmy Carter e Graça Machel -, disseram nesta segunda-feira em Johanesburgo que a crise no Zimbábue é pior do que tinham imaginado. Esperávamos uma situação sombria, mas vai além do que tínhamos imaginado, disse em entrevista coletiva na capital financeira sul-africana Graça Machel, uma defensora internacional dos direitos humanos da mulher e das crianças.

EFE |

A esposa do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, o ex-secretário-geral da ONU e o ex-presidente americano pretendiam viajar no fim de semana passado ao Zimbábue em uma missão humanitária, mas o Governo de Harare não permitiu que entrassem no país.

No entanto, o trio de anciãos continuou sua avaliação da crise humanitária no país vizinho através de reuniões com líderes políticos, representantes de agências de assistência, do setor empresarial e da sociedade civil zimbabuanos que viajaram a Johanesburgo especialmente para isso.

A ONU advertiu de que cinco dos cerca de 12 milhões de habitantes da população zimbabuana precisarão de ajuda alimentícia até janeiro, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou auxílio de saúde imediato.

A economia do Zimbábue está em um absoluto caos, sem fornecimento de alimentos e outras mercadorias essenciais, mais de 80% de desemprego e uma inflação astronômica.

Segundo Machel, Annan e Carter, no Zimbábue se registra também uma aguda escassez de sementes e adubos, que terá como conseqüência que as colheitas de abril só fornecerão uma parcela dos alimentos que são necessários.

Os especialistas destacaram que quatro dos maiores hospitais zimbabuanos, dois deles em Harare, tiveram que interromper sua assistência a quase todos os pacientes devido a uma falta de medicamento e outros elementos básicos de atendimento de saúde, incluindo água potável.

O comparecimento nas escolas de ensino fundamental e médio diminuiu de mais de 85% em 2007 para pouco menos de 20% este ano, enquanto as universidades não abriram.

"Quando planejamos esta viagem, sabíamos que a situação no Zimbábue era séria, mas o que soubemos nos últimos dias é apavorante", disse Koffi Annan.

Os três anciãos ressaltaram que "as condições econômicas, a escassez de dinheiro, as migrações e os deslocamentos em massa são parte integral da crise que enfrenta o Zimbábue".

Já Jimmy Carter se referiu ao fracassado acordo para formar um Governo conjunto entre a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), e o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) que permitiria ao país se concentrar na resolução de sua crise econômica e humanitária.

Os especialistas concluíram a entrevista coletiva pedindo à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, mediadora nas negociações políticas no Zimbábue, a ser "mais firme e enérgica" com as facções rivais a fim de "resolver urgentemente a crise do país".

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