Especialistas dizem que reforço dos sistemas de saúde ajudará a conter aids

Alberto Cabezas México, 5 ago (EFE).- Representantes de ONGs e de vários Governos chegaram hoje ao consenso de que o aumento do financiamento da luta contra o HIV/aids, para até US$ 10 bilhões ao ano, exigirá de doadores e receptores uma melhor coordenação desses recursos.

EFE |

Durante a 17ª Conferência Internacional sobre a Aids, o ministro de Cooperação da Holanda, Bert Koenders, declarou que, diante da necessidade de a resposta mundial à epidemia do HIV ser ampliada, o financiamento "será um assunto-chave nos próximos dois anos".

Nesta terça-feira, o ministro e representantes de países doadores e receptores participaram de uma sessão de trabalho que discutiu formas de melhorar a administração dos fundos para combater a aids, que "cresceram 24 vezes na última década", segundo disse.

"Não podemos permitir que compitamos por poucos recursos", afirmou Koenders, que defende a "melhor integração dos programas de aids nas políticas de desenvolvimento".

Representando o Governo do Reino Unido, Malcolm McNeil disse que, em junho, seu país aprovou US$ 12 bilhões que não irão especificamente para a luta contra a aids, mas para melhorar os sistemas de saúde, o que inclui programas de combate à doença.

Um dos maiores desafios do financiamento da luta contra a aids, que atinge 33 milhões de pessoas, é subvencionar os tratamentos dos doentes que vivem mais tempo, concordaram os especialistas.

"Estamos diante de um assunto crítico", disse a vice-presidente de desenvolvimento do Banco Mundial (BM), Joy Phumaphi, para quem o combate à pobreza também deve ser combinado com melhorias nos sistemas de saúde e com o tratamento de pacientes com aids.

"A conjuntura atual não é sustentável. Ter (...) muitos esquemas de acompanhamento e controle, como acontece agora, é completamente insustentável", disse Phumaphi, que também é ex-ministra da Saúde de Botswana.

Para diretor-executivo do Fundo Mundial de Luta contra o HIV, a Malária e a Tuberculose, Michel Kazatchkine, a epidemia do HIV/aids "expôs várias distorções, uma das quais é a fraqueza dos sistemas de saúde".

Como exemplo do déficit existente, citou a América Latina, onde a média do investimento em saúde varia de 3,5% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB), "longe do que quereríamos ver", opinou.

Em seus cinco anos de existência, o Fundo Mundial assumiu uma posição de liderança nesse âmbito ao destinar US$ 11,4 milhões a programas de saúde em 136 países.

"Estamos deixando os projetos para financiarmos estratégias nacionais", como a reforma dos sistemas de saúde, disse sobre o uso dos recursos.

Dois ministros africanos participaram da sessão, a titular de Saúde do Lesoto, Mphu Ramatlapeng, e seu colega da Etiópia, Tedros Adhanom.

A primeira declarou que, com uma incidência de 23%, a aids virou um problema nacional, perante o qual "é fundamental fortalecer o sistema de saúde" e torná-lo "sustentável a longo prazo".

Já o ministro etíope lamentou o comportamento imprevisível de alguns doadores internacionais e pediu que qualquer projeto tenha de cinco a dez anos de duração.

Álvaro Bermejo, da Ong International HIV/AIDS Alliance, alertou para o risco "de que sejam rompidas as alianças" fixadas pelo Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) em 2000 e por outros organismos nos últimos anos para fazer frente aos problemas de saúde globais como a aids.

O especialista disse que fazem falta mais fundos, que é impossível sustentar sistemas de saúde com uma despesa por pessoa de US$ 40 e que é necessário estreitar mais a cooperação, e não competir pelos recursos.

"Com fundos, prestação de contas e com a sociedade civil podemos reformar os sistemas de saúde" nos países onde estes são mais frágeis, concluiu. EFE act/bm/sc

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