Especialistas desenvolvem medicamento contra câncer de próstata

Londres, 22 jul (EFE).- Um grupo de especialistas desenvolveu um novo medicamento (Abiraterone) para o tratamento do câncer de próstata, que é considerado o mais importante em 60 anos, pois pode reverter a forma mais agressiva do mesmo, resistente e mortal.

EFE |

Entre 70% e 80% dos doentes tratados com o Abiraterone tiveram uma melhora significativa, segundo os resultados dos testes clínicos publicados nesta terça na revista "Journal of Clinical Oncology".

O Abiraterone, que bloqueia os hormônios que nutrem as células cancerosas, pode ser usado para o tratamento de até 80% dos casos mais agressivos do câncer de próstata.

O medicamento foi desenvolvido pelo doutor Johann de Bono, que deixou claro no artigo que os estudos precisam ser confirmados em testes muito mais amplos.

O doutor Gerhardt Attard, do Instituto de Pesquisa do Câncer de Sutton, sul da Inglaterra, no qual foi descoberto o medicamento, declarou estar otimista quanto aos efeitos do tratamento.

"O tempo nos julgará, mas estamos muito esperançosos. Está mudando a forma como entendemos o câncer de próstata de uma forma que não ocorreu em 50 ou 60 anos", declarou Attard.

O estudo publicado hoje é baseado nos resultados obtidos de 21 pacientes com a forma mais avançada e agressiva do câncer de próstata tratados com o Abiraterone, que funciona ao bloquear a produção de hormônios em todo o corpo.

A análise demonstrou uma significativa diminuição do tumor canceroso.

Muitos dos pacientes tratados constataram uma melhora em sua qualidade de vida e alguns abandonaram a morfina que tomavam para aliviar a dor causada pela propagação da doença nos ossos.

Há 60 anos, os cientistas descobriram que o hormônio testosterona nutre a doença.

Os especialistas disseram, no entanto, que nenhum paciente tomou o medicamento por mais de dois anos e meio. Por este motivo, é cedo demais para saber o efeito que ele pode ter na expectativa de vida.

"Achamos que conseguimos um grande passo adiante no tratamento dos pacientes com câncer de próstata no período terminal", afirmou De Bono.

"Estes homens têm um câncer de próstata muito agressivo, que é extremamente difícil de tratar e quase sempre fatal", declarou o médico.

O professor David Webb, especialista em farmacologia clínica da Universidade de Edimburgo (Escócia), disse que o medicamento parece dar bons resultados, mas "ainda está na etapa preliminar de desenvolvimento clínico".

"Será crucial observar cuidadosamente o equilíbrio entre os benefícios e os danos, antes de chegar a conclusões firmes sobre a utilidade deste novo medicamento", acrescentou Webb. EFE vg/fh/fal

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