Paris, 30 out (EFE).- O Comitê Internacional de Bioética (CIB) da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) debate até amanhã se as mudanças espetaculares produzidas na área científica da clonagem justificam uma reforma da convenção da entidade que trata desta questão, disse hoje seu presidente, Adolfo Martinez Palomo.

"Não podemos ignorar que aconteceram mudanças espetaculares" na clonagem, disse à Agência Efe Martinez Palomo, que afirmou que a reunião do CIB iniciada na última terça em Paris pretende definir "se a caixa de Pandora será aberta" e se a Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos, de 1997, será modificada.

Esta declaração da Unesco considera, entre outras coisas, que a clonagem com fins reprodutivos é uma prática "contrária à dignidade humana".

O presidente do CIB confirmou que foi aberto o debate sobre que tipo de experiência deve ser autorizada à luz da experiência em diversos países, mas admitiu que, por enquanto, não há consenso científico sobre se isto justifica introduzir mudanças nos textos da Unesco.

Martinez Palomo afirmou que, em Paris, está acontecendo uma "discussão muito interessante sobre a clonagem" e que ontem foram apresentados os pontos de vista de vários países, como o Brasil, onde se trabalhou notavelmente nos últimos anos.

Também foram conhecidos pontos de vista de outros países como Indonésia e Madagascar, o que, segundo Martinez Palomo, permite enriquecer a discussão, pois a concepção da vida não é a mesma do Ocidente, por exemplo, do que em lugares de cultura muçulmana e na Ásia.

O presidente do CIB contou que, "curiosamente", os países mais avançados estão entre os mais interessados em colocar mais restrições internacionais à clonagem para não se virem adiantados por outros.

Também disse que, "por enquanto", não está nesta instância a questão do "turismo de clonagem", ou seja, o deslocamento de pessoas para vários países para recorrer a alternativas não autorizadas em suas nações de origem.

No entanto, lembrou que há países que têm uma legislação mais flexível na matéria.

Um segundo ponto que concentra o trabalho dos especialistas internacionais reunidos em Paris até amanhã é a saúde e a responsabilidade social para lançar uma mensagem em escala internacional.

"Ainda não encontramos a fórmula para uma recomendação clara" que incida na idéia de que os indivíduos e a sociedade devem ser mais responsáveis sobre práticas de saúde ou sobre comportamentos que afetam diretamente a saúde, como fumar, levar uma vida sedentária ou ter uma alimentação pouco saudável, reconheceu Martinez Palomo.

O princípio de responsabilidade social é abordado na Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, de 2005 e elaborada pela Unesco. EFE ac/wr/fal

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