Especialistas criticam políticas adotadas contra gripe suína na América do Sul

Notícias alarmistas, distribuição lenta de medicamentos antivirais e a falta de coordenação das autoridades: diversos especialistas da área da saúde estão começando a criticar as políticas postas em prática na América do Sul para conter a pandemia de gripe suína.

AFP |

Um dos principais pontos apresentados pelos especialistas é a forma com que os governos estão divulgando a doença.

"A comunicação das autoridades tem sido muito ruim. Ocorre a divulgação do número de casos e mortes diárias, sem dar qualquer contexto, o que só serve para semear o pânico entre as pessoas", disse Vilma Savy, diretora do Centro Nacional para a Gripe Argentina.

"As pessoas acreditam que quem se contamina com a influenza A está praticamente com uma sentença de morte", concorda o brasileiro Fábio Franco, médico infectologista da USP.

Outra questão abordada por muitos especialistas é o fechamento de escolas, agora em análise também na Europa, duvidando que a medida possa contribuir para deter a propagação da gripe.

"Isso tem um efeito limitado", afirma o epidemiologista chileno Luiz Martinez Oliva, acrescentando que o fechamento de fronteiras "não vai parar a pandemia".

A Argentina, por exemplo, suspendeu por duas semanas os seus vôos para o México e adiou o retorno das férias escolares, mas se tornou o segundo país do mundo com mais infectados pelo novo vírus influenza A (H1N1), atrás apenas dos Estados Unidos.

O último balanço publicado em 13 de agosto notifica mais de 400 mortos e quase 800.000 infectados.

"Uma explicação para essa taxa de mortalidade tão elevada foi o uso muito tarde do oseltamivir (tratamento antiviral também comercializada sob a marca Tamiflu)", afirma Jorge Yabkowski, presidente da Federação de Profissionais da Saúde da Argentina.

"A decisão de tratar todas as pessoas com sintomas só foi tomada em 29 de junho e começou a ser aplicada em 4 de julho, enquanto que o pico da pandemia no país ocorreu entre 20 e 27 de junho", acrescenta.

Segundo ele, a Argentina também sofreu com a demissão da ministra da Saúde, Graciela Ocaña, em 29 de junho, o que levou a falhas na condução das políticas públicas.

O especialista também lamenta a "falta de coordenação entre o Departamento Nacional de Saúde e as autoridades regionais".

Sem nomear países, o presidente da Sociedade Peruana de Epidemiologia, Yagui Martin Moscoso, disse que "em outros países, as autoridades de saúde não têm sido respeitadas e houve um grande impacto".

Do lado positivo, no entanto, o epidemiologista uruguaio Eduardo Sávio observa, que as campanhas para incentivar as pessoas se consultar em casa, seja através de sites ou pelo telefone, têm contribuído para "evitar um colapso do sistema de saúde", impedindo "o vírus de ser transmitido dentro dos hospitais".

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