Especialistas apontam possíveis 'destinos' para Costa Concordia

Desencalhe ou destruição são algumas das opções apresentadas por especialistas para navio naufragado na costa italiana

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Do resgate do submarino nuclear russo Kursk à manutenção de plataformas de perfuração soltas pelo furacão Katrina, empresas holandesas têm uma longa história de trabalho em catástrofes marítimas.

A Smit Salvage, com base em Roterdã, ainda não ganhou o contrato para salvar o navio de cruzeiro Costa Concordia, que vale US$ 450 milhões e está tombado sobre a rochosa costa da Toscana. Ainda assim, espera-se que a empresa comece a bombear 2,4 toneladas de combustível do navio nos próximos dias.

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Equipes de resgate trabalham no navio Costa Concordia tombado na ilha de Giglio, Toscana (19/1)

O Costa Concordia bateu contra rochas na sexta-feira em frente à pequena ilha de Giglio depois que seu capitão, Francesco Schettino , fez um desvio não autorizado do curso programado do navio.

Os proprietários do navio, bem como sua seguradora, ainda precisam decidir que empresa de salvamento receberá o contrato multimilionário para remover o navio de cruzeiro do local, mas especialistas já especulam quão difícil será cumprir essa tarefa.

"A escala desse navio é sem precedentes", disse Hans van Rooij Smit, um ex-executivo da Smit, à Associated Press. "Ele tem 290 metros de comprimento e 35 metros de largura, ele é enorme."

Van Rooij esteve envolvido em alguns dos mais famosos resgates da Smit Salvage, incluindo a balsa Herald, que virou em 1987 perto da costa belga, e o submarino nuclear russo Kursk, que afundou em 2000 no Mar de Barents. Ele agora dirige uma empresa de consultoria marítima que não está envolvida no resgate do Concordia.

Van Rooij disse que há apenas duas opções para esse resgate: consertar o rasgo de 50 metros no casco do Concordia e tentar o desencalhe ou cortá-lo em pequenos pedaços o suficiente para que sejam transportados em barcos de carga menores.

O desencalhe do navio seria a opção mais limpa das duas, mas é extremamente difícil devido ao tamanho do navio, ele explicou, acrescentando que o navio tem cerca de 45 mil toneladas apenas de aço.

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Satélite traz imagem do navio Costa Concordia naufragado próximo à costa de Giglio, na Itália (17/01)

Os esforços para localizar as pessoas ainda desaparecidas do Costa Concordia e começar a retirada do combustível foram temporariamente interrompidos na quarta-feira quando o navio mexeu ligeiramente, mas foram retomados na quinta-feira.

Além disso, equipes de resgate explodiram vários buracos no casco do navio esta semana, para acelerar sua busca por sobreviventes.

Para desencalhar o navio, as equipes de resgate precisariam de barcos de carga fortemente ancorados ao fundo do mar e cabos presos ao navio, disse Van Rooij. Eles provavelmente também colocariam cabos no lado do navio que está mais perto da terra firme para impedir que o seu volume tombe os barcos de carga responsáveis por puxá-lo quando sua posição for corrigida.

Mas segundo ele, as forças envolvidas na tentativa de desencalhar um navio construído com milhares de toneladas de aço faz com que esse procedimento seja improvável.

"O desencalhe seria o método preferido de qualquer um e todos irão considerar esse procedimento, mas eu acho muito difícil que ele seja o método final", disse Van Rooij.

Isso significa que a equipe de resgate deve estar mais propensa a cortar o navio no local, um processo que pode liberar poluentes nas águas da costa da Toscana - um santuário marinho para os golfinhos, botos e baleias.

Antes do resgate começar, no entanto, o primeiro passo é esvaziar o navio de seu combustível, uma operação de risco que busca evitar um desastre ambiental .

No início dessa semana, funcionários da Smit explicaram o processo da extração do óleo para os repórteres.

Ele envolve penetrar os 17 tanques de combustível do navio e aquecer o petróleo, que no frio se torna espesso e viscoso. Esse processo de aquecimento torna mais fácil a sucção do petróleo usando válvulas e bombas com ar ou água sendo injetados nos tanques para empurrar o combustível para fora.

"As instruções das autoridades italianas e do capitão do porto são claras: o navio precisa ser removido e se isso vai ser feito em uma única peça ou mais cabe aos proprietários decidir", disse Kees van Lessen, Gerente de Operações da Smit. "Todas as empresas de resgate tentarão removê-lo em um pedaço porque é o mais fácil."

Mas as autoridades também reconhecem que desencalhar um navio de passageiros desse porte - essencialmente uma pequena cidade com centenas de compartimentos e cabines - é algo muito mais difícil do que fazer o mesmo com um navio de carga menor.

A Smit, parte da gigante de serviços marítimos Royal Boskalis Westminster NV, tem experiência de décadas no resgate de navios. Ela se juntou a outra empresa holandesa, a Salvage Mammoet, para içar o submarino Kursk do Mar de Barents depois que duas explosões poderosas o colocaram no fundo do mar a uma profundidade de 250 pés (108 metros), em 12 de agosto de 2000, com a perda de sua tripulação de 118 pessoas.

A equipe de resgate primeiro teve que cortar o submarino, que foi destruído pelas explosões. Eles usaram serra, puxada para trás e para frente através do casco por cilindros hidráulicos montados em âncoras de ambos os lados do Kursk, uma tecnologia desenvolvida pela Smit e que Van Rooij disse nunca ter sido usada antes.

O submarino foi suspenso em seguida para uma plataforma de transporte e enviado para uma doca seca no porto de Murmansk, no Ártico russo.

Como o contrato de resgate do Costa Concordia ainda não foi concretizado, nenhuma empresa quer comentar a operação italiana.

Johan Pastoor, porta-voz da Mammoet, afirmou que a empresa não está envolvida no resgate do Costa Concordia nesta fase, mas não descartou um envolvimento no futuro.

Qualquer que seja o método e a empresa de resgate finalmente escolhidos, o Concordia - que possui pelo menos dez deques e entrou em operação em 2006 - pode nunca mais realizar um cruzeiro.

"Na minha opinião, a partir de minha experiência, navios naquela posição costumam sofrer uma perda total", disse Van Rooij.

Por Mike Corder

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