Especialistas afirmam que combate à mudança climática exige vontade política

Miami, 25 jun (EFE).- A emissão de gases do efeito estufa se tornou o maior dos desafios meio ambientais enfrentados pelo planeta, que exige vontade política e liderança para ser resolvido, afirmaram hoje em Miami vários especialistas.

EFE |

"Necessitamos com urgência ver nos Estados Unidos uma maior liderança" no compromisso de resolver o desafio da mudança climática, disse Tom Peterson, presidente do Centro para Estratégias Climáticas americano.

Peterson expressou na 2ª Cúpula da Mudança Climática Global sua profunda preocupação pelo "rápido crescimento" da emissão de gases poluentes registrados no mundo.

"Nós, especialistas, estamos muito preocupados" pelo impacto da mudança climática na população, disse Peterson em uma das conferências do fórum, que foi presenciada por mais de 700 pessoas e que conta com a participação de funcionários, cientistas, acadêmicos, especialistas em meio ambiente e empresários.

"É necessário que nosso trabalho com os governadores se transfira para Washington para que estejam mais abertos" a este desafio, afirmou Peterson no fórum que termina amanhã, quinta-feira.

A mesma opinião apresentou Suzanne Watson, diretora do Conselho Americano pela Economia Eficiente de Energia, ao destacar que, "sua maior preocupação", é que "os alertas" emitidos sobre a mudança climática "não sejam suficientes".

"Há milhões de pessoas que teriam que se deslocar se a mudança climática provocasse a elevação do nível do mar", advertiu a especialista, que ressaltou a importância de se reduzir de 80% para 25% a emissão de gases do efeito estufa.

Segundo ela, só assim será possível resolver este desafio global sobre o qual a comunidade científica conseguiu definitivamente um consenso.

Nesse sentido, Scott S. Nyquist, diretor da companhia McKinsey, ressaltou a importância do necessário uso de modelos tecnológicos "a longo prazo" para o desenvolvimento de uma energia eficiente.

"Precisamos investir em nova tecnologia", para reduzir a emissão de gases do efeito estufa e "economizar energia", disse.

"Deve-se criar um mercado de oportunidades reais, e a Flórida é um exemplo", disse Peterson, que pôs como modelo de luta contra a mudança climática ações simples como sincronizar bem os semáforos para tornar mais fluente a circulação de veículos.

No entanto, Nyquist manifestou seu ceticismo sobre a possibilidade de mudar cerca de 100 anos de usos e costumes da população no emprego de energia e eletricidade.

Já Kenneth Broad, antropólogo e membro do Centro para a Política e Ciência do Ecossistema da Universidade de Miami, explicou que todos podem aplicar em suas vidas medidas muito simples que ajudem a reduzir o impacto da mudança climática.

"É preciso mudar o estilo de vida" para prevenir a emissão dos gases poluentes e promover "a energia limpa", seja solar ou nuclear, afirmou.

De qualquer maneira, o efeito "já está aí, na atmosfera" e terá impacto sobre o nível do mar, por isso que a Flórida deve aplicar as medidas necessárias para "a proteção de suas costas, para evitar a erosão das praias e os dano nos recifes causado pela poluição dos navios", alertou Broad.

Em coletiva de imprensa realizada esta manhã, o governador da Flórida, Charlie Crist, apresentou seu plano de desenvolvimento econômico e energético.

"A cúpula deste ano reafirma nossa crença de que o verde é ouro e o uso da energia renovável pode nos colocar à frente da indústria em todo o país", disse o governador. EFE emi/rb/rr

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