Especialistas advertem sobre dificuldades para lutar contra o mal de Chagas

Buenos Aires, 19 nov (EFE).- O mal de Chagas afeta mais de dez milhões de pessoas na América Latina e os programas oficiais de prevenção e combate contra a doença devem lutar contra dificuldades socioculturais, políticas, econômicas e sanitárias, advertiram hoje especialistas.

EFE |

No seminário "A endemia do mal de Chagas no Grande Chaco: sua epidemiologia, prevenção e controle", que termina nesta quarta-feira após dois dias de deliberações em Buenos Aires, especialistas da região debateram as conseqüências da doença na região.

Durante o encontro se advertiu que o mal de Chagas é a principal causa de morte cardiovascular nos países da América Latina, segundo um estudo recente publicado pela revista "New England Journal of Medicine".

De acordo com essa mesma pesquisa, entre os pacientes que desenvolvem problemas coronários por causa da doença, 84% dos de alto risco morre na década seguinte, enquanto as taxas de mortalidade são de 44% e 10%, respectivamente, entre os doentes considerados de risco médio e baixo.

Além disso, embora em muitos casos a infecção passa despercebida, um terço dos infectados desenvolve doença cardíaca crônica décadas depois por causa desta infecção, transmitida por um inseto conhecido popularmente como "barbeiro".

O mal de Chagas, que deve seu nome ao descobridor da doença, o cientista brasileiro Carlos Chagas, é uma doença endêmica na América Latina e prolifera particularmente em regiões com altos níveis de pobreza e más condições sanitárias.

Nos debates do seminário os cientistas sustentaram que a partir dos avanços conseguidos pelo Brasil no controle do inseto, o epicentro da transmissão da doença se concentra na região denominada Grande Chaco, que compreende parte da Argentina, Bolívia, Paraguai e uma pequena porção do território brasileiro.

Cinqüenta e oito por cento dos 1,1 milhão de quilômetros quadrados abrangidos pelo Grande Chaco se encontra na Argentina, onde se calcula que haja cerca de dois milhões de infectados com o parasita que causa a doença ("Tripanosoma cruzi").

"A área geográfica que nos ocupa é o núcleo difícil da problemática", assegurou o especialista da Organização Pan-americana da Saúde (OPS) Roberto Salvatella. Ele defendeu "uma abordagem integrada e interdisciplinar para interromper a transmissão domiciliae e transfusional do mal de Chagas".

"A região está sendo submetida a mudanças ambientais e sociais que estão fragmentando a capacidade de resposta do sistema de saúde", disse o especialista argentino Ricardo Guntler, acrescentando que "os índices de pobreza no Grande Chaco superam largamente os 50%".

Janis Lazdins, membro do Programa de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que "um dos maiores desafios" da entidade "é construir cooperação intersetorial".

Mirko Rojas Cortez, do programa de Controle do mal de Chagas do Ministério da Saúde da Bolívia, destacou que em seu país a participação comunitária permitiu quase quadruplicar o número de casas borrifadas com inseticidas para combater os insetos.

No seminário, também foram analisados os fatores que determinam a persistência da transmissão do mal de Chagas na região. EFE hd/ma

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