Especialista alerta para propagação da aids na Índia e na China

México, 8 ago (EFE).- A incidência da aids na Ásia continua baixa, embora a Índia, com 2,3 milhões de portadores do HIV, seja o terceiro país do mundo com mais infectados, e na China exista o risco de a doença se alastrar, disse à Agência Efe um especialista indiano.

EFE |

Com aproximadamente 650.000 casos, a China reagiu bem aos contágios entre usuários de drogas injetáveis, mas, devido à intensa migração para as grandes cidades e aos poucos avanços da prevenção entre as prostitutas, "há potencial para que (a aids) exploda" nos próximos anos, disse Anit Mukherjee em uma entrevista.

Na China, a província de Hunan, que faz fronteira com a Tailândia e Mianmar, é a que registra mais casos de infecções pelo HIV, a maior parte deles a partir do compartilhamento de seringas entre usuários de drogas.

"No norte do país e nas grandes cidades, o que movimenta a epidemia são os homens que fazem sexo com homens e o trabalho sexual", disse o especialista.

No entanto, o gigante asiático tem um dos melhores programas para drogados, aos quais distribui agulhas esterilizadas e oferece tratamento substitutivo. Além disso, conseguiu controlar a situação em muitas regiões.

O pesquisador indiano é um dos autores do relatório da Comissão sobre a Aids na Ásia, criada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e que recentemente analisou a situação da doença em 20 países da região, sem incluir os da Ásia Central.

"Temos países em todos os estágios da epidemia", disse Mukherjee, que destacou como positivo o fato de, em todas as nações, a doença atingir de 1% a 2% da população adulta.

"É a principal diferença que temos em relação à África", que concentra 67% dos casos de HIV no mundo todo.

Tailândia, Camboja e Índia foram os primeiros países asiáticos a sofrer com a pandemia, sendo que o Governo tailandês foi o primeiro a ser bem-sucedido no combate à doença.

"Eles fizeram uma campanha muito agressiva sobre o uso de preservativos", disse Mukherjee, que lembrou que a Tailândia é exemplo de "'sucesso precoce'", apesar de ter 400.000 soropositivos.

Na Índia, a epidemia está descendo para o sul do país, onde os preservativos são usados em 80% das relações. Porém, a incidência da doença está aumentando no nordeste, principalmente na fronteira com a China e Mianmar.

"Há mais consumo de drogas (sobretudo heroína) nessa região por ela estar próxima do (chamado) 'Triângulo Dourado'", destacou o especialista, que lamenta que não se faça o suficiente para atender aos usuários de drogas injetáveis.

De modo geral, a Índia não investiu muito em programas amplos de combate ao HIV, já que preferiu focar mais a saúde sexual da população, o que traz resultados limitados.

Por essa razão, há uma alta incidência de mulheres infectadas, a maioria viúvas contaminadas por maridos que contraíram a doença quando eram jovens. EFE act/sc

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