Espanholas da Médicos Sem Fronteiras são sequestradas no Quênia

Motorista das duas espanholas foi ferido e permanece no hospital; fonte policial acredita que o Al-Shabab está por trás do rapto

iG São Paulo |

Duas espanholas que trabalham para a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) foram sequestradas nesta quinta-feira por homens armados em um acampamento de refugiados de Dadaab, no leste do Quênia, próximo à fronteira com a Somália.

Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, o motorista que acompanhava as duas foi ferido e permanece no hospital. Nas últimas semanas, duas mulheres estrangeiras - uma francesa e uma inglesa - foram raptadas na fronteira. Um oficial da polícia queniana afirmou à BBC que agentes estavam perseguindo os sequestradores na região por vias aérea e terrestre.

AP
Pais cuidam de seus filhos enquanto eles são tratados pela organização Médicos Sem Fronteiras em Dadaab, no Quênia (11/7)

"Nós condenamos fortemente esse ataque", afirmou José Antonio Bastos, presidente da MSF na Espanha. "A MSF está em contato com todas as autoridades relevantes e está fazendo tudo o que pode para assegurar um retorno seguro de nossas colegas. Enquanto isso, nossos pensamentos estão com elas e com suas famílias nesse momento difícil."

A MSF convocou uma equipe de crise, mas afirmou que não dará mais nenhuma informação até chegarem a uma resolução rápida e segura.

O sequestro aconteceu perto do campo Ifo, uma das três áreas que constituem Dadaab, a apenas 80 km da fronteira com a Somália. Ao todo, Dadaab agora abriga 450 mil refugiados, equivalente à população da terceira maior cidade do país.

Ainda não ficou esclarecido quem está por trás do sequestros das espanholas. O grupo islamita Al-Shabab controla grande parte do sul da Somália, mas geralmente nega alegações de envolvimento em casos como esse.

No entanto, Leo Nyongesa, chefe da polícia regional, afirmou à AFP que o sequestro foi realizado por membros do Al-Shabab. A chancelaria espanhola indicou em um comunicado que "está fazendo todo o necessário, com a máxima discrição, com o objetivo de assegurar a integridade física das duas cidadãs espanholas e conseguir sua pronta libertação".

Refugiados afirmaram a um repórter da BBC que os bandidos - armados com rifles AK-47 - geralmente entram no campo durante a noite, para roubar seus pertences.

O ataque pode complicar as ajudas humanitárias em Dadaab, embora os funcionários desses grupos trabalhem sob requisitos de segurança. Membros da ONU devem ter escolta armada e a maioria retorna a bases seguras antes do anoitecer.

"Eu estou profundamente, profundamente chocado e entristecido. Isso é inaceitável", disse Adan Keynan, presidente da Defesa do Parlamento e do Comitê de Relações Exteriores do país. "É uma barbárie e os países responsáveis devem unir forças contra essa ameaça. Essa é uma quadrilha organizada que está firmemente decidida a espalhar o medo entre a população queniana."

A ONU declarou situação de fome em seis regiões da Somália, a maior parte delas controladas pelo Al-Shabab. A região está enfrentando a pior seca em mais de meio século.

Al-Shabab, que é filiado da Al-Qaeda, e controla grandes redutos no sul e no centro da Somália, impuseram uma barreira que impede agências de ajuda humanitária estrangeiras de entrarem no país em 2009. Apesar disso, recentemente, o grupo permitiu um acesso restrito.

No mês passado, a britânica Judith Tebbutt foi sequestrada por homens armados de um resort localizado em Kiwayu. Seu marido David foi morto. Acredita-se que Tebbutt está sob o poder do Al-Shabab na Somália. Em 1º de outubro, uma francesa de 66 anos também foi raptada por uma quadrilha em um resort de Manda e levada para Somália. O ministério das Relações Exteriores britânico fez um alerta sobre viagens à costa do Quênia.

Com AP, AFP e Reuters

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