Espanhola é condenada por agredir filho que não fez lição

A espanhola Maria Del Saliente Alonso, de 37 anos, foi condenada nesta sexta-feira a 45 dias de prisão por maus tratos, depois de bater no filho de dez anos porque ele não fez a lição de casa.

BBC Brasil |

Segundo a juíza do Tribunal Penal de Jaén (no sul do país), a mãe "cometeu um ato de agressão e nenhum desses atos pode estar dentro dos conceitos de razão e moderação".

A juíza decretou ainda que Maria permaneça afastada do filho - no mínimo a 500 metros de distância - durante um ano, além dos 45 dias de cadeia, que poderão ser substituídos por trabalhos sociais, já que ela não tem antecedentes criminais.

O menino levou a surra em 2006 quando, depois de uma discussão pelas tarefas escolares, Maria Alonso pegou o filho pelo pescoço e deu vários bofetões nele.

O garoto, que tentava se esconder no banheiro, bateu com a cabeça na pia e apareceu no colégio no mesmo dia com o nariz sangrando e hematomas no pescoço.

A direção da escola o levou a um ambulatório e decidiu abrir um processo contra a mãe.

Maltrato

A sentença reconhece que o menor "tem uma personalidade difícil e desobediente" e que a mãe "tenha entrado em estado de nervosismo", mas "se cumprem todos os requisitos que caracterizam os maus-tratos".

A sentença publicada no boletim oficial da pequena cidade de Pozo Alcón (de 5,2 mil habitantes) indicou que "uma agressão física com certa intensidade a ponto de produzir lesões não pode ser compreendida dentro do conceito de direito à correção que os pais têm em relação aos filhos."

O advogado de defesa de Maria já confirmou que recorrerá da decisão judicial, mas deve enfrentar resistência da Associação Espanhola Pró-Direitos das Crianças, que considera a sentença exemplar, e da promotoria pública, que pedia um castigo mais severo.

A acusação queria nove meses de prisão e a obrigatoriedade de afastamento do menor durante um ano e meio.

"Essa sentença deve servir de exemplo para esta senhora e outros como ela ficarem sabendo que uma criança é uma pessoa com direitos e não pode ser agredida. É uma questão de violência entre desiguais", disse o porta-voz da Associação, José Luis Calvo, em nota à imprensa.

"Um menor aprende o que vê, e se o que ele vê são gritos e golpes, então é o que ele mesmo acabará fazendo", conclui o comunicado.

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